Marcos de Paula/Estadão
Marcos de Paula/Estadão

Depois de susto, Palmeiras mira protagonismo

Presidente Paulo Nobre aposta que clube entra em 2015 com mais condições financeiras de investir em uma equipe competitiva

Daniel Batista, O Estado de S. Paulo

08 de dezembro de 2014 | 07h00

Foi no sufoco e apenas na última partida da equipe na temporada, mas o Palmeiras se safou e continua na elite do futebol brasileiro. Talvez nenhum palmeirense respire tão aliviado neste momento quanto o presidente Paulo Nobre. O rebaixamento seria a comprovação do péssimo planejamento e da certeza que o dirigente conseguiu dar ao clube um centenário que nem o mais pessimista dos palmeirenses poderia imaginar. Agora, a ordem é pensar no futuro e acreditar no dito popular de que “após a tormenta, vem a bonança”. 

Pelo menos esse é o discurso de Nobre. O dirigente acredita que 2015 será bem diferente, já que ele tirou os dois primeiros anos de sua gestão para colocar “ordem na casa”, principalmente em relação às finanças do clube, destroçadas por antigas gestões desastrosas. Na prática, Nobre esteve longe de ter um primeiro mandato de se encher os olhos, porém a tendência é que realmente o clube consiga ter um respiro e possa ir ao mercado com maiores investimentos. 

“O futebol do Palmeiras tem que ser sempre competitivo, o que aconteceu neste ano é óbvio estava completamente fora de qualquer plano, o que o torcedor pode esperar é um time competitivo e para disputar títulos nos campeonatos que participar”, garante o presidente, reeleito para o segundo mandado no último dia 29.

Mas que o torcedor palmeirense não se iluda e ache que ele sairá contratando às pencas e gastando fortunas. Embora esteja um pouco mais propenso a fazer negócios de valores elevados, o dirigente garante que não vai abrir mão da tão falada austeridade financeira. “Eu tenho um estilo de responsabilidade e não vou ficar comprometendo as finanças futuras do clube”, explicou.

O dirigente assumiu o clube em janeiro de 2013 com 75% das rendas já comprometidas com empréstimos bancários e adiantamentos de cota de TV, por exemplo. Por isso, os investimentos nos dois primeiros anos foram bem comedidos e se fez necessário que o dirigente deixasse de lado uma promessa de que não emprestaria novamente dinheiro para o clube. No total, cerca de R$ 151 milhões foram pegos pelo dirigente, que começará a receber o dinheiro na próxima temporada. Para tentar aumentar as receitas, será necessária tomar algumas decisões.

Entre elas, está o patrocínio master. Algumas empresas apareceram interessadas em estampar a marca na camisa do time, mas Nobre não aceitou os valores. O projeto de sócio-torcedor Avanti, que tinha oito mil inscritos quando Nobre assumiu o cargo, e hoje já conta com mais de 60 mil, também deve continuar crescendo, principalmente por causa da inauguração do Allianz Parque, e será uma das fontes de renda do clube.

A arena também será um diferencial. Além da questão técnica, de poder voltar a jogar em sua casa e em um estádio onde o adversário deverá sofrer muita pressão, o financeiro também fará a diferença. O clube receberá milhões cada vez que atuar em sua casa e a expectativa é que os valores continuem sendo elevados ano que vem, já que a torcida parece ter aprovado a nova casa e, se tiver um time forte, aumentará ainda mais a presença no estádio. 

O dirigente sabe que fez algumas apostas bem erradas no primeiro mandato e que sua forma de negociar causou alguns prejuízos técnicos e financeiros para o clube, como por exemplo, na negociação de Alan Kardec. A primeira decisão do dirigente será contratar um diretor de futebol para fazer o que José Carlos Brunoro (atual diretor executivo, que deixará o cargo no final do ano) tentou fazer nesta temporada, mas não conseguiu, que é descobrir bons jogadores que se enquadrem na situação financeira do clube. Rodrigo Caetano, que estava no Vasco, chegou a negociar com o clube e estava com conversas bem adiantadas, no entanto, a tendência é que o dirigente acabe por permanecer no Rio de Janeiro e trabalhe no Flamengo.  Assim, o clube estuda outros dois nomes: Eduardo Maluf e Alexandre Mattos, do Atlético-MG e Cruzeiro, respectivamente. 

Outro ponto será definir se Dorival Júnior permanece ou não na equipe. Uma lista de possíveis reforços já está em análise, mas sem a presença de um diretor de futebol e a confirmação de Dorival, as negociações estão todas paradas. O mesmo vale para a renovação de contrato de alguns atletas que tem vínculo com o clube só até o fim do ano.

A permanência ou não na elite nacional era fundamental para definir os rumos da equipe. Caso a equipe fosse rebaixada, os investimentos seriam, pelo menos na teoria, menos agressivos. A ideia de Nobre é utilizar a base da equipe deste ano com o acréscimo de alguns atletas de peso que chegarão no ano que vem. Nomes ainda são tratados a sete chaves, até porque, os primeiros contatos devem ser feito nos próximos dias. 

Independente dos escolhidos, outra nova atitude a ser aplicada em 2015 é tentar montar o elenco o quanto antes para que, já nas primeiras rodadas do Campeonato Paulista, a equipe esteja praticamente formada e que cheguem apenas alguns nomes pontuais para reforçar a equipe. Neste ano, até o fim do estadual o clube recebia jogadores e isso dificultou o trabalho e o entrosamento.

Como Corinthians e São Paulo estarão na Libertadores, o Palmeiras terá apenas o Santos como grande concorrente na disputa pelo título e por isso, vê o Paulista como prioridade no primeiro semestre. Como o regional começa apenas em fevereiro, Nobre terá dois meses para montar o time e conseguir fazer com que o torcedor do Palmeiras volte a ter orgulho da equipe e esqueça o ano desastroso de 2014.

Tudo o que sabemos sobre:
futebolPalmeirasPaulo Nobre

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.