Wolfgang Rattay/Reuters
Wolfgang Rattay/Reuters

‘Deram uma informação errada para o Dunga’, afirma Hulk

Fora da seleção brasileira porque o técnico desconfia que ele e seu clube enganaram a CBF, Hulk dá sua versão e diz que quer voltar

Entrevista com

Hulk

Luís Augusto Monaco, O Estado de S. Paulo

01 de novembro de 2014 | 11h19

Hulk entra em campo neste sábado, contra o CSKA, em Moscou, para dar mais um passo em sua tentativa de voltar para a seleção. Autor de dez gols em 20 jogos na temporada pelo Zenit, que lidera o Campeonato Russo com quatro pontos de vantagem sobre o CSKA, ele luta para mostrar em campo que não merece sumir das listas de Dunga pelo que chama de "mal-entendido". Na última sexta-feira, da concentração, falou por telefone com o Estado.

Ter começado a temporada fazendo gols e com o time liderando o campeonato ajuda a superar a decepção causada pela maneira como o Brasil terminou a Copa?

Sem dúvida. Por um lado foi bom eu ter tido só oito ou nove dias de folga depois da Copa, porque comecei a trabalhar forte e a pensar para a frente. Eu tinha uma expectativa muito grande de ser campeão no Brasil, e o que aconteceu foi realmente muito duro. Mas o negócio é levantar a cabeça e ir em frente.

Você ainda pensa na goleada de 7 a 1 sofrida diante da Alemanha?

Não tem como esquecer aquele jogo... Daqui a 50, 100 anos ainda vão falar dessa goleada.


Passados quase quatro meses, deu para entender o que aconteceu naquele dia?

Quando se perde um jogo por 1 a 0 você tenta explicar o motivo da derrota, mas perdendo de sete não tem o que falar. O que podíamos fazer foi o que fizemos: todo mundo assumiu a responsabilidade pelo resultado e ninguém se escondeu.

Nos clubes você sempre foi goleador jogando mais solto, mas na seleção se sacrificava para ajudar na marcação e era criticado por não render tanto no ataque. Como encarava isso?

Receber críticas por fazer algo que o treinador me pedia era doído. É claro que eu preferia ter jogado mais perto do gol, como sempre fiz na minha carreira, mas penso primeiro no time. Não estava acostumado a fazer aquela função de voltar tanto para marcar, mas o Felipão me pediu para fazer e me dediquei o máximo que pude para cumpri-la.

Falando em seleção, o Dunga te chamou para os amistosos de setembro, mas você se machucou e foi cortado. E na convocação seguinte ele te deixou de fora e deu a entender que ficou chateado por você ter jogado pelo Zenit bem antes do prazo que o clube tinha passado para a CBF. O que aconteceu de fato?

Senti o músculo posterior da coxa esquerda dia 31 de agosto, e liguei para o Dunga para dizer o que tinha acontecido. Perguntei se ele queria que eu fosse para o Brasil para ser examinado pelos médicos da seleção, mas ele falou que não, que eu fizesse os exames na Rússia mesmo e mandasse o resultado para a CBF. O exame mostrou que era uma lesão que normalmente exige de quatro a seis semanas de tratamento, e isso foi passado para a CBF. Mas graças a Deus eu sempre me recupero muito rápido. Na Copa mesmo, tive um derrame na coxa antes do jogo contra o México, teve gente que achou que eu não jogaria mais e voltei contra o Chile. Fiz nove horas de tratamento por dia na Rússia, voltei a treinar dia 10 e joguei dia 13 contra o Dínamo de Moscou. Alguém passou uma informação errada para o Dunga dizendo que joguei dia 6 (a seleção jogou dias 5 e 9, contra Colômbia e Equador), e isso não é verdade.

Você ligou para o Dunga depois disso para esclarecer a situação?

Não liguei, porque não sei como ele reagiria se eu ligasse. E também ninguém da CBF entrou em contato comigo. Se estou fora da seleção por opção técnica, tenho de respeitar e trabalhar ainda mais forte para poder voltar a ter uma chance. Agora, se estou fora por causa de um mal-entendido, de uma informação errada que passaram para ele, não dá para entender. Repito: quando voltei a jogar pelo Zenit a seleção já tinha feito as duas partidas. O Dunga foi o primeiro técnico a me convocar (em 2009) para a seleção, tenho um grande respeito por ele. Quero voltar para a seleção e jogar a próxima Copa do Mundo.

Você está feliz na Rússia ou gostaria de jogar em outro país?

Quando cheguei aqui, há dois anos e meio, o ambiente era muito ruim e eu queria ir embora. O elenco era muito dividido, os russos não falavam com os estrangeiros... Isso foi muito ruim, atrapalhou o time e não conseguimos ganhar nada. Mas depois da chegada do André Villas Boas (técnico português) tudo melhorou. As maçãs podres foram embora, o grupo se uniu e o time está muito bem. O clube investiu bastante em mim e quero retribuir com títulos nos três anos de contrato que tenho. Não vou pedir para ser vendido.

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