Dérbi barulhento

A (nova) derrota para o Corinthians volta a azedar a rotina do Palmeiras

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

16 Maio 2018 | 05h00

Inúmeras vezes Palmeiras x Corinthians vira tema de crônicas neste espaço. Sempre com a ressalva de que não se trata de jogo comum, o que soa como chavão, de tanto que se ressalta tal aspecto. Mas não é. Independentemente do torneio – até em cada vez mais raros amistosos –, o dérbi é diferente e não costuma restringir-se aos 90 e tantos minutos regulamentares. Esse clássico tem vida antes, durante e depois. Principalmente depois.

Como agora. O duelo anterior foi no começo de abril e decidiu o Campeonato Paulista. Arrastou-se até domingo, por causa da polêmica do pênalti dado e depois negado ao Palmeiras. Por mais que jogadores e treinadores dos dois lados dissessem que, para eles, a página estava virada, eis que o barulho entrou em campo pelo Brasileiro. No mínimo, nas embaixadas de cabeça que Romero fez nos minutos finais. (Foi até substituído para não tomar uns sopapos dos adversários...)

Mais fortes os desdobramentos, e negativos, pelo lado verde. A derrota (mais uma) por 1 a 0 tirou o sossego de Roger Machado e rapaziada sob o comando dele. A turma curtia momentos de paz, com classificação antecipada na Libertadores, vaga adiantada na Copa do Brasil e pontuação boa na largada do Brasileiro. Parecia acertar-se.

Veio o tropeço em Itaquera e... pimba!, soaram as cornetas. Torcedor pacato desceu a ripa no time, por considerá-lo passivo diante dos alvinegros. Já o pessoal das organizadas carregou no tom, para não perder o costume. Para tanto, pediu a saída do técnico e avisou que não vai incentivar a equipe. Até que mudanças drásticas ocorram. 

Em linguagem simples: estão rompidos, o eterno caso de amor ficou abalado. Por mais que aleguem isso ou aquilo para justificar a atitude, a bronca se concentra pra valer na desvantagem recente diante do Corinthians. A caderneta de freguês incomoda, e como. Só quem segue um dos dois lados sabe o que significa esse duelo centenário.

O nível de paciência será posto à prova na noite de hoje, no Allianz Parque, na partida com o Junior Barranquilla. Em circunstâncias normais, não estranharia que a plateia pedisse para o Palmeiras aliviar, pois uma derrota classifica os colombianos e manda pro espaço o Boca Juniors, carrasco verde em duas Libertadores seguidas. Mas, após a queda no fim de semana, não se admitem erros.

Dudu, Lucas Lima & Cia. estarão sob o crivo palestrino. Jaílson não. Este anda com moral nas nuvens.

Roger aprendeu logo a captar o humor do público e adapta o discurso às circunstâncias. Precisa, com urgência, variar o cardápio tático. Por ora, limitar-se a mudanças de nomes, de uma rodada para outra ou durante um jogo. Não basta. O repertório estratégico mostra-se trivial, e o Palmeiras precisa de mais. Exige-se time maleável, ousado e inventivo para driblar desafios. A inércia no banco tem reflexos no campo – e isso, mais até do que as surras frequentes para o Corinthians, pode desmontar Roger e pupilos. 

Há prolongamentos do dérbi também na parte corintiana? Claro, e excelentes. A vitória a empurrou para o topo, ao lado de Flamengo e de Atlético-MG, todos com 10 pontos, além de lhe devolver confiança numa semana importante. A tarefa amanhã é a de bater o Deportivo Lara, na Venezuela, e saltar para as oitavas de final na Libertadores. 

Fabio Carille anda com sorriso deste tamanho, ao consolidar-se como triturador do Palmeiras, e a tendência é a de repetir escalação que mandou a campo no domingo. Não há por que nem como mudar. O descanso fica para o retorno, no compromisso com o Sport, em Recife. A hora é de manter embalo, se possível com Pedrinho, estrela em ascensão e decisivo no clássico, como titular.

Próximo capítulo? Em 9 de setembro, se Palmeiras e Corinthians não trombarem antes na Libertadores...

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