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Antero Greco
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Dérbi decisivo

Para honrar a tradição, duelo Corinthians x Palmeiras dará rumo final ao Brasileiro de 17

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

01 Novembro 2017 | 04h00

Sem rodeios e já na primeira frase: a briga pelo título está aberta. Com a derrapada diante da Ponte Preta, a vantagem do Corinthians poderia ter despencado para apenas 3 pontos, se o Santos tivesse vencido o São Paulo e se o Palmeiras tivesse passado pelo Cruzeiro. Manteve-se em 6 em relação à turma alvinegra e diminuiu para 5 em comparação com a tropa verde. É muito boa, mas não definitiva.

A decisão provavelmente ocorrerá no domingo, no mais famoso clássico paulista, ou naquele com maior tradição de rivalidade no século 20. O dérbi no estádio de Itaquera será o marco da competição de 2017. Vitória deixará o Corinthians com distância enorme (oito pontos) e quase insuperável para o Palmeiras tirar nas seis rodadas restantes. E, no mínimo, garante a folga atual sobre o Santos.

O empate não é nada desprezível para os corintianos, ao menos no que se refere ao Palmeiras – no fundo, o rival temido na reta final. Mas, para tanto, e por segurança, o Santos não pode ganhar do Atlético-MG no sábado. Na verdade, os santistas correm por fora, são encarados como força alternativa.

Novo tropeço corintiano transtorna a competição, porque os palestrinos encostarão (a pontuação ficaria 59 a 57), crescerão como sombra e tornarão tudo imprevisível. Além de colocarem pressão enorme sobre o líder, sobretudo abalarão a autoconfiança de quem nadava de braçada no turno. 

A Série A, em resumo, chega às etapas importantes com tensão e adrenalina em alta – e isso anima quem curte futebol. Bem diferente do quadro delineado lá pela 20.ª rodada. Àquela altura, pairava indiferença no ar, pois a disparada corintiana indicava caminho suave e festa com muita antecipação. Era a grande barbada da história.

A anemia no desempenho da rapaziada de Fábio Carille e o vigor reencontrado pelo Palmeiras contribuíram para a guinada. Para ser enfático e não dar margem a interpretações dúbias: refiro-me a expectativa, ansiedade, discussões de boteco, provocações – a emoção. Que, ao fim das contas, é o que faz as pessoas curtirem o joguinho de bola. Abstraio a questão técnica. 

Não se trata de fechar os olhos à qualidade do espetáculo vendido por estas bandas. Há muito se discute a necessidade de inovação, de maior preparo das equipes, de aperfeiçoamento dos métodos dos treinadores. Dias atrás, essas deficiências foram tema de crônica neste espaço (“Ideias, por favor”). 

O nível técnico dos elencos não encanta. Não é por acaso que um clube sobressai se investir fora do habitual – casos de Palmeiras, Flamengo e Atlético-MG. Nem isso é garantia de sucesso, como se percebe pela trajetória do trio durante a temporada. 

Também por isso um jogador pode fazer a diferença – exemplo evidente é Hernanes, em torno do qual gira a reação são-paulina. Jogador bom, aplicado, experiente, que na Europa e na China não era astro de primeiríssima linha. Aqui, joga o suficiente para destacar-se, tirar o time do fundo do poço e para concorrer à premiação de melhor do ano. Merecido.

Não há intenção de enganar ninguém, com a falsa ilusão de que o Brasil recuperou patamar alto que frequentou durante décadas. Muito menos está em curso tentativa de jogar água fria na empolgação de corintianos, palmeirenses e, por que não?, santistas. Têm direito de sonhar com a taça, com a volta olímpica, com a hegemonia local. Legítimas as projeções, as resenhas, as apostas feitas por amigos. 

Perto da definição, o torcedor quer saber se o time dele chegará na frente. Ok, o cronista funciona como consciência, “grilo falante”, voz da razão. Mas, presunção à parte do que seja o papel do analista, a constatação óbvia e gostosa: o clima esquentou. E Corinthians x Palmeiras tem tudo para ser memorável. Tomara. 

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