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Dérbi esclarecedor

O Corinthians ressurge, após a vitória. E o Palmeiras revela instabilidade emocional

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2018 | 04h00

E alguém ainda duvida que Corinthians x Palmeiras seja especial? Basta ver a edição deste sábado do clássico para constatar a obviedade, o quanto se trata de duelo à parte na história do futebol brasileiro – e mundial, ora, por que não?! A gente enche a bola de Real x Barcelona, de Milan x Inter, de Galatasaray x Fenerbahçe, de River x Boca. São diferentes só porque dos gringos?! Então, coloco o dérbi paulista nessa lista, por aquilo que tem de episódios marcantes, de rivalidade, superação, surpresa e polêmica. Por mexer com uma metrópole.

Todos esses aspectos entraram em campo, em Itaquera, e tornaram o jogo importante para os dois lados. Nem tanto para o prosseguimento do Estadual – estarão nas etapas decisivas –, mas para a temporada. O desempenho e o resultado terão desdobramentos por vários dias e servirão para análise e autocríticas recíprocas. E mudanças.

Rápido e rasteiro como um zagueiro que não deixa atacante pensar: o Corinthians entortou o Palmeiras e mereceu a vitória. Foi por 2 a 0, mas poderia ter sido por 3 ou mesmo por 1. O placar entra como detalhe. O campeão de 2017 esteve melhor do que o adversário, independentemente de reclamações por causa da expulsão de Jailson.

A jornada foi alvinegra, por estratégia mais eficiente escolhida por Fábio Carille e, acima de tudo, pela iniciativa, pelo comportamento, pela atitude, como gostam de ressaltar os boleiros, das duas partes. Os corintianos estiveram ligados, em estado de alerta, desde a soprada inicial de Raphael Claus. Os palmeirenses deixaram em casa a ousadia de outras ocasiões. E, mais preocupante, perderam o rumo, após o primeiro pênalti, aquele desperdiçado por Jadson. Expuseram fragilidade psicológica que se supunha superada.

Carille montou equipe forte na marcação em todos os setores. E, mesmo sem um finalizador, conseguiu ser agressiva. Por quê? Porque seus jogadores rodaram a bola, se deslocaram, envolveram o Palmeiras. Porque cresceram à medida que o tempo corria. O gol de Rodriguinho foi prova desse Corinthians paciente e insidioso: houve troca de passes por um minuto e meio, que culminou com o lance individual, o chute rasteiro, sem chance. Uma estocada certeira, que atingiu em cheio a autoestima de quem vinha com invencibilidade e melhor campanha.

Roger Machado mexeu no intervalo – e de maneira equivocada, em parte. Acertou ao colocar Scarpa, mas errou ao mandar William para o banco. Deveria ter optado por tirar Lucas Lima (sumido e bem vigiado) ou Dudu (muito abaixo do normal e nervoso).

Mas, vá lá, o Palmeiras ao menos teve iniciativa de ir à frente, o que ocorrera esporadicamente na etapa inicial. No entanto, o nocaute técnico surgiu com o lance do vermelho para Jailson. O goleiro saiu para impedir avanço de Renê Júnior e o atingiu na coxa. O juiz não viu, deixou o jogo prosseguir e, após chute de Henrique para fora, assinalou tiro de meta. Daí, voltou atrás, deu pênalti, mandou Jailson para o chuveiro e desmontou o Palmeiras. O capitão Dudu ensaiou tirar o time de campo, em sinal claro de descontrole emocional. Ali morria qualquer chance de reação.

O segundo gol foi consequência de um Corinthians seguro de que tiraria de letra o obstáculo pela quarta vez consecutiva (ganhou três vezes no ano passado) e de um Palmeiras desnorteado. Impressiona como uma equipe até então confiante e em ascensão desmoronou. Cenário visto em diversos momentos na temporada anterior e que desembocou em seguidas frustrações. Dor de cabeça para Roger e auxiliares.

Já o Corinthians mantém sua vocação para renascer quando se preveem esgotamento e turbulência. Vai confiante para a estreia na Libertadores. Como é tonificante a vitória em um Corinthians x Palmeiras!

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