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Derrota do Brasil na Copa de 1950 é contada em documentário

Dossiê 50: Comício a favor do Náufragos, de Geneton Moraes Neto, traz a história dos onze jogadores brasileiros

Diego Salgado, O Estado de S. Paulo

22 de outubro de 2013 | 08h01

SÃO PAULO - Barbosa, Augusto, Juvenal, Bauer, Danilo, Bigode, Friaça, Zizinho, Ademir, Jair e Chico. Onze heróis, onze vice-campeões mundiais. Donos da média de gols mais alta da seleção brasileira em Copas do Mundo. Os 11 jogadores titulares do time do técnico Flávio Costa no Mundial de 1950, porém, tornaram-se anti-heróis por conta da derrota por 2 a 1 para o Uruguai na final do primeiro Mundial disputado no Brasil. A história desses atletas brasileiros é contada no documentário “Dossiê 50: Comício a favor do Náufragos”, do repórter Geneton Moraes Neto.

"É hora de anistiar os jogadores que perderam a Copa de 1950. Eles passaram o resto da vida como culpados pela derrota", disse Geneton durante a pré-estreia do documentário, ocorrida no último sábado, no Museu do Futebol, em São Paulo. O repórter ouviu os onze titulares da equipe. Nos anos seguintes à derrota, alguns deles foram tratados como traidores da nação. É o caso do goleiro Barbosa e do centro-médio Bigode, os maiores culpados pela derrota.

Geneton iniciou as entrevistas em 1986, pouco antes do Mundial do México. O primeiro relato foi do goleiro Barbosa, que à época trabalhava no parque aquático do Maracanã. "Eu pedi para ele subir ao gramado. Ele disse não. A derrota, mais de três décadas depois, ainda doía nele".

A partir dali, o repórter resolveu procurar os outros dez jogadores. Até meados de 1987, todas as entrevistas estavam feitas. De acordo com Geneton, o mais arredio era Bigode, jogador do flanco esquerdo do campo, por onde Ghiggia encontrou espaço para avançar e marcar o segundo gol do Uruguai -- o da virada e do título celeste. Coube a Ademir, o artilheiro da Copa com nove gols, intervir e convencê-lo a falar.

Treze anos depois do trabalho, Geneton lançou um livro com as declarações dos jogadores, intitulado de "Dossiê 50". Agora, em 2013, a um ano da segunda Copa do Mundo no País, a obra foi atualizada e o documentário produzido. As versões ganharam mais duas entrevistas. A primeira com Friaça, em 2006, a três anos de sua morte. O ex-atacante do Vasco e do São Paulo marcou o primeiro gol da final logo no começo do segundo tempo.

Ghiggia, o algoz brasileiro, foi ouvido no começo deste ano. O ex-ponta-direita é o único jogador vivo dos 22 atletas que entraram em campo naquele 16 de julho de 1950. Em junho do ano passado, o uruguaio de 86 anos sofreu em grave acidente automobilístico. Após semanas em coma e meses de internação, o carrasco saiu do hospital. "Vou estar bem para o Maracanã, em 2014", disse.

O documentário ainda traz histórias sobre o destino dos atletas brasileiros nas primeiras horas depois da derrota. Bauer, por exemplo, voltou para São Paulo deitado no chão de um trem. Friaça, por sua vez, saiu do Maracanã e, inconscientemente, foi parar debaixo de uma árvore em Teresópolis. Já Zizinho, durante anos, teria se comunicado por telepatia com o principal jogador uruguaio, Obdulio Varela. O craque brasileiro também tinha um sonho recorrente: de que a decisão no Maracanã ainda não havia começado.

"Dossiê 50: Comício a favor do Náufragos", de Geneton Moraes Neto, irá ao ar no próximo dia 3, às 20h30, na GloboNews. O documentário será reprisado no dia 9 de novembro, às 18h30.

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