Derrota é diferente para o S. Caetano

Serginho foi o primeiro a sair de campo. Passos lentos, cumprimentou Sílvio Luiz que a ele se juntou na retirada rumo ao vestiário. Foram alcançados por Rubens Cardoso e Somália. Vinte metros atrás vinham os outros jogadores. Tristeza havia, mas também a impressão de que eles ainda não haviam sentido a dimensão de tudo o que perderam. O São Caetano, que perdeu jogando como time pequeno, não conseguiu ter estatura elevada nem na hora do sofrimento. Faltou dramaticidade, não houve um toque de desespero nas derrotas de times grandes. Ninguém caído no chão, ninguém chorando, a derrota - mais uma em final - parecia normal. A torcida, formada em sua maioria por não-torcedores, também saiu tranqüila de campo. Pouco choro para uma derrota que teria dimensão de catástrofe se fosse sofrida por um grande do futebol brasileiro. A festa dos paraguaios foi enorme. Os jogadores correram até a sua reduzida torcida e todos "mergulharam" na grama em forma de comemoração. "Ganhamos com o coração e dedicamos essa vitória a todo povo paraguaio", disse o goleiro Tavarelli. "Sempre confiamos em nós e acreditamos na possibilidade de virar", disse o uruguaio Orteman, eleito o melhor em campo e ganhador de um carro Corolla. Ele explicou também que a briga com o presidente foi deixada de lado e não atrapalhou o time "Conseguimos separar as coisas e pensar apenas no jogo". Confusos - Adãozinho foi o único jogador do São Caetano na festa, recebendo as medalhas de vice-campeão. Os jogadores do São Caetano não sabiam explicar o que aconteceu. "Trabalhamos bem o tempo todo, mas na final não conseguimos jogar. O Olímpia virou e chegou com mais moral na cobrança dos pênaltis", disse Robert, que se apresenta ao Santos nesta sexta. Ele reclamou muito da expulsão de Jair Picerni no primeiro tempo. "Quem deveria levar o vermelho era o Quintana, que atropelou o Russo. Ele foi muito desleal e o Jair apenas reclamou da jogada". Silvio Luiz, muito abatido, preferiu não culpar ninguém em especial. "Foi uma derrota coletiva, bobeamos e ninguém pode levar a culpa. Nós chegamos a uma final em que todos queriam estar, mas perdemos. Agora, tem de levantar a cabeça e treinar para a próxima". Ele disse não entender a postura do time após o primeiro gol. "Recuamos de um jeito muito errado. Não dá para explicar. Essa foi a derrota que mais doeu. A gente tinha o título na mão, não queríamos perder, mas não conseguimos. Agora, são cinco dias de folga para cair na realidade e esquecer esse tormento todo". O capitão Daniel mostrava-se menos abatido do que Silvio Luiz. "Futebol é assim mesmo. Tem dia em que não se joga bem. Toda explicação do futebol é dentro de campo. Jogamos mal e perdemos. O time continua, a vida continua e agora, tem de pensar no brasileiro, não tem nada mais a fazer", disse, retirando-se rapidamente do vestiário. Dininho, seu companheiro de zaga, reconheceu o mérito do Olimpia. "Eles jogaram melhor e ficaram com o título. Perdemos esse título da pior maneira, mas a vida e o futebol não acabam aqui. O Brasileiro está aí".

Agencia Estado,

01 Agosto 2002 | 01h23

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