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Derrota é igual trabalho

O segundo tempo do Palmeiras deixou uma tremenda má impressão. Travado e lento, o time se viu dividido por uma cratera no meio de campo, que impediu o acesso ao trio ofensivo, formado por Kelvin (que substituiu Rafael Marques no intervalo), Leandro Pereira (depois Barrios) e Dudu.

Paulo Calçade, O Estado de S. Paulo

03 de agosto de 2015 | 02h00

Arouca e Robinho perderam a conexão com os atacantes, equivocados na leitura dos problemas. A situação pedia mais movimentação, integração entre os setores para superar um adversário muito bem treinado por Milton Mendes.

Pior, Lucas e Egídio, os laterais palmeirenses, também não foram capazes de fazer a transição ofensiva como se esperava. Desde a chegada de Marcelo Oliveira, que ontem conduziu o grupo pela nona vez no Brasileirão, Egídio se transformou em atalho para o ataque, como fazia no Cruzeiro. Mas não desta vez.

A conclusão de que a equipe trabalhou mal na ensolarada manhã paulistana é real, óbvia. Basta o resultado, mas o torcedor não pode perder de vista a importância do adversário diante das dificuldades. 

O Atlético Paranaense não é tecnicamente brilhante, não possui as opções do Palmeiras, mas acredita no seu treinador, que se preparou para anular as virtudes palestrinas e desenvolver sua partida sobre elas. 

A joia técnica do time, porém, estava no banco, guardada para o segundo tempo. Sempre gordinho, longe do perfil de um jogador de futebol profissional, o roliço Walter tem o jogo na proporção de seu peso.

É impressionante como conduz a partida de acordo com seu interesse, para o seu terreno. Foi mandado a campo aos 14 minutos do segundo tempo. Jogou meia hora e decidiu a batalha após cobrança de escanteio, além de uma série de bolas bem trabalhadas, que soube prender no campo ofensivo.

A derrota foi uma pancada muito forte, mas será útil para mostrar o quanto este Palmeiras ainda precisa se desenvolver. Marcelo Oliveira reconheceu, na semana passada, que depois de 50 dias no clube começa a enxergar seu trabalho na equipe.

É assim que funciona, o tempo é um aliado importante. Principalmente quando se trata de um grupo montado por outro profissional. Desde que contextualizado nos treinamentos, o revés servirá para recuperar alguns valores importantes. 

O volante Otávio, do Atlético, teve espaço demais no meio de campo palmeirense. O escanteio que originou o gol surgiu de uma finalização dele. E isso, decididamente, não pode ocorrer.

Resta ainda muito campeonato pela frente. O Palmeiras vai adquirir maturidade como equipe. Por mais óbvia que seja a expectativa de que Marcelo Oliveira dará a este grupo o mesmo que levou o Cruzeiro ao bicampeonato brasileiro, paciência é fundamental.

O clube apresenta uma grande vantagem em relação aos rivais: não está desesperado para vender jogadores. Enquanto a maioria das equipes tenta sobreviver no Brasileirão fazendo negócios, o Palmeiras joga para crescer e candidatar-se ao título na reta final. Tem tudo para dar certo, apesar desta derrota.

R10. Ronaldinho Gaúcho foi um dos símbolos da recuperação técnica do Barcelona, a partir de 2003. Chegou ao topo do futebol, foi eleito o melhor jogador do mundo, mas nunca esteve muito preocupado em manter-se por lá. E nem com sua forma física. Ele se garante.

Seu repertório técnico sempre foi tão superior à concorrência, que resolveu curtir a vida jogando. Bem distante de sua melhor fase, agora desembarcou no Fluminense. Solução e problema para Enderson Moreira. 

Afinal, o treinador sabe que não ganhou apenas um reforço, recebeu um titular. O marketing movimentado em torno da presença de R10 nas Laranjeiras não combina com o banco de reservas. Talvez dê certo, desde que seus novos companheiros comprem a ideia.

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