Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Derrota para o lanterna da Série B expõe a crise no São Paulo

Em pleno Morumbi, comandados de Osorio levam 2 a 1 do Ceará

Gonçalo Junior, O Estado de S. Paulo

20 de agosto de 2015 | 23h38

Time pipoqueiro e time sem vergonha foram os xingamentos publicáveis que os jogadores do São Paulo ouviram na derrota para o Ceará, por 2 a 1, ontem, pela Copa do Brasil. Inconformada com a segunda derrota seguida no Morumbi – no sábado, o time levou 3 a 0 do Goiás –, a torcida reclamou da diretoria e dos jogadores, principalmente Ganso e Michel Bastos, desde o primeiro tempo. O rodízio do técnico Juan Carlos Osorio não funcionou de novo, desta vez diante dos reservas do time que está na lanterna na Série B do Campeonato Brasileiro. Contratado no mês de junho, o técnico Osorio vai ter de suportar a primeira grande crise depois de duas derrotas seguidas em casa.

Na próxima partida, disputada na semana que vem, no Ceará, o São Paulo terá de vencer por dois gols de diferença para se classificar à próxima fase da Copa do Brasil. O Ceará, que dá prioridade à Série B, pode perder por 1 a 0.

Depois de um primeiro tempo sofrível, Fiel ao rodízio de atletas, Osorio novamente mostrou um São Paulo diferente. Eram dois zagueiros protegidos pelos volantes Michel Bastos e Thiago Mendes. Logo à frente, uma linha de três meias formada por Pato, Ganso e Carlinhos, a grande novidade da escalação.

No papel, a receita era equilibrada: uma defesa protegida e jogadores criativos para armar e fazer companhia à Luis Fabiano. Na prática, tudo desandou. Carlinhos não achou seu lugar, não criava nem marcava e foi o grande erro da escalação. Além disso, faltaram velocidade e objetividade para espetar o rival. O time jogava parado.

O Ceará aproveitou a deixa. Com 13 desfalques, entre lesionados e outros que já atuaram por outros clubes na Copa do Brasil, o time ficou assustado com o tamanho do jogo e só passou o meio de campo na base dos chutões. Mas não desperdiçou a única chance que teve. Aos 16, no primeiro e escanteio, o time cearense abriu o placar com Rafael, que apareceu sozinho. Falha de posicionamento da defesa.

O São Paulo não conseguiu virar a página daquela sofrida derrota para o Goiás, no sábado. Mudaram as peças, mas os defeitos eram os mesmos. Um time desconjuntado com meio e ataque falando línguas diferentes.

A diferença técnica era tão grande que o Ceará acabou espremido. Foram duas chances seguidas. Após cruzamento de Carlinhos, Pato acertou a trave, aos 40. Dois minutos depois, Luis Carlos salvou gol certo de Michel Bastos. Essas chances esparsas não foram suficientes para garantir o apoio da torcida. As vaias e os gritos de “Raça!” tomaram conta.

Osorio foi obrigado a trocar Luis Fabiano, contundido, por Wilder Guisao, que fez sua estreia. A alteração veio acompanhada pelo avanço dos volantes e dos meias. Destrambelhado, o São Paulo se lançou ao ataque e deu espaços. E novamente se repetiu o enredo da derrota para o Goiás. No contra-ataque, Fabinho ganhou na corrida de Luiz Eduardo e sofreu pênalti, convertido por Rafael Costa: 2 a 0.

O caldo só não entornou totalmente, porque Pato tirou um coelho da cartola e fez um golaço em seguida, dois minutos depois. Ainda desordenado, mas mais entusiasmado que no primeiro tempo, o São Paulo pressionou muito. Virou o jogo de um time só, todo no campo do rival. A chance mais concreta, no entanto, foi uma bola no travessão que Wilder Guisao acertou já nos acréscimos. Os jogadores esperavam uma goleada para se reabilitar, mas acabaram se afundando ainda mais na crise.

FICHA TÉCNICA

SÃO PAULO 1 x 2 CEARÁ

SÃO PAULO - Renan Ribeiro; Bruno, Lucão, Luiz Eduardo e Reinaldo (Wesley); Thiago Mendes, Michel Bastos, Paulo Henrique Ganso e Carlinhos; Alexandre Pato e Luis Fabiano (Wilder Guisao). Técnico: Juan Carlos Osorio.

CEARÁ - Luís Carlos; Charles, Wellington Carvalho, Gilvan e Guilherme Andrade; João Marcos, Carlão, Uillian Correia e Sanchez; Rafael Costa (Carlos Alberto) e Fabinho. Técnico: Marcelo Cabo.

GOLS - Rafael Costa, aos 16 minutos do primeiro tempo; Rafael Costa (pênalti), aos 20, e Alexandre Pato, aos 22 minutos do segundo tempo.

CARTÕES AMARELOS - Reinaldo, Alexandre Pato, Luiz Eduardo e Wilder Guisao (São Paulo); Fabinho, Carlão e Sanchez (Ceará).

ÁRBITRO - Dewson Freitas da Silva (Fifa/PA).

RENDA - R$ 309.884,00.

PÚBLICO - 13.015 pagantes.

LOCAL - Estádio do Morumbi, em São Paulo (SP).

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