Benoit Tessier/Reuters
Benoit Tessier/Reuters

Derrota põe fim ao suplício da França na África do Sul

Últimos representantes da mais vitoriosa geração dos azuis se despedem da Copa de forma vergonhosa

Andrei Netto, Correspondente - O Estado de S. Paulo

22 de junho de 2010 | 14h18

PARIS - A quatro minutos do fim do confronto com a África do Sul, na tarde de ontem, Christian Jeanpierre, narrador da emissora TF1 escalado para o último jogo da França na Copa do Mundo de 2010, definiu o estado de espírito da opinião pública de seu país: "Falta pouco para o fim do suplício".

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Na França, desde a expulsão de meia Gourcuff, aos 26 minutos do primeiro tempo, quando o confronto contra os Bafana Bafana já estava 1 a 0, a certeza era de que a campanha se abreviava na África do Sul. A partir de então, restaram dois desejos: que não houvesse uma goleada e que um gol de honra, pelo menos, fosse marcado. Aos 25 minutos do segundo tempo, Malouda reduziu um pouco a vergonha. "Voilà! A França não deixará a Copa do Mundo sem marcar nenhum gol", afirmou Jeanpierre, sem nenhuma empolgação.

Encerrado o jogo, uma caça aos responsáveis teve início em Paris. Os alvos se dividiam entre os jogadores - incluindo antigos ídolos, como Henry -, o treinador, Raymond Domenech, e a direção da Federação Francesa de Futebol (FFF). Pressionado a demitir-se, Jean-Pierre Escalette, presidente da FFF, classificou a campanha de "vergonha", mas deixou claro que ainda tentará permanecer no cargo, apesar da rejeição da imprensa e dos torcedores. "Esta página precisa ser virada, porque seu balanço é totalmente negativo", disse, sem abrir mão da presidência: "Acho que ainda tenho algo a fazer".

Mesmo que tente se manter na presidência, o cartola pode cair a qualquer momento. A sequência de insubordinações no grupo - como as ofensas de Nicolas Anelka e o boicote ao treinamento de segunda-feira - tornou insuportável a pressão sobre a FFF, exercida não apenas pela imprensa, mas também por simples torcedores, como Emmanuel Tigrou.

"Nenhum deles tem honra, tem amor à camisa. São apenas egos superdimensionados. Fora Escallette, abaixo todo o conselho da FFF!", defendeu. A opinião é compartilhada por ex-ídolos como Robert Pires, campeão do mundo de 1998: "A equipe da França e a federação precisam ser gerenciadas de forma profissional, como qualquer clube mundial".

Além da pressão, o Palácio do Eliseu, por meio do Ministério dos Esportes, já realiza uma intervenção branca na FFF. "Eu retorno à França e tiraremos as conclusões", advertiu a ministra Roselyne Bachelot.

Junto com Escalette e Domenech - que será substituído por Laurent Blanc -, os últimos representantes das gerações campeã mundial em 98 e vice-campeã de 2006 abandonam os azuis. É o caso do atacante Henry e do defensor Gallas. A lista de nomes barrados nas futuras equipes da França, entretanto, pode se estender aos rebelados da África do Sul, como Anelka e Evra.

 

 

 

 

 

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