Desabafo de Nelsinho agita São Paulo

Vitória sobre o Fluminense por 4 a 3, três pontos e, como se não bastasse, um jogo memorável com sete gols pelo Torneio Rio-São Paulo. Parece impossível que o dia seguinte a esse momento possa ser estressante. Mas não é. Pelo menos para o técnico do São Paulo, Nelsinho Baptista. As vaias e xingamentos dos torcedores o irritaram profundamente após a partida. E ainda nesta segunda-feira o assunto repercutia no Morumbi. O diretor de futebol do clube, José Dias, apareceu para declarar seu apoio às atitudes do treinador. Na metade do segundo tempo do jogo de domingo, quando o Tricolor vencia por 3 a 1, Nelsinho decidiu substituir o meia Souza, então destaque da equipe e autor do terceiro gol, pelo zagueiro Wilson. Revoltada com o que considerou uma amostra de covardia e retranca, a torcida o vaiou e xingou de "burro". O dirigente afirmou que concordou com a decisão do técnico e repetiu a explicação dada pelo próprio Nelsinho na entrevista coletiva após o jogo. "A saída do Souza já estava prevista, pois ele não está no mesmo nível de preparação física do resto do grupo", disse. "Inclusive, as outras duas alterações (saídas de Belletti e Reinaldo para as entradas de Gabriel e Sandro Hiroshi) foram corretas." Desconfiança - Mas a forma como Nelsinho reagiu aos protestos dos torcedores provocou certo desconforto no clube. Visivelmente alterado e sem citar nomes, o treinador mandou seu recado em alto e bom som. "Eu sou o técnico do São Paulo. Até segunda ordem, quem manda aqui sou eu, quem escala o time sou eu", enfatizou. "Não é meia dúzia de cafajestes que vai tumultuar o ambiente." Pois foi exatamente essa última frase a responsável por algumas desconfianças. A quem, exatamente, Nelsinho estaria se referindo com o pesado adjetivo? À primeira vista, o alvo seria parte da torcida que o xingou de ?burro?. No entanto, existem pessoas no Morumbi que dizem não acreditar nessa hipótese. Para elas, o treinador estaria sofrendo na pele a pressão de dirigir um clube que vive a expectativa de uma eleição. O desempenho da equipe principal de futebol na competição, como acontece com todos os grandes clubes, é considerado, tanto pela situação quanto pela oposição, como decisivo no rumo da votação. Se for bem, em outras palavras conquistar o título, ganha força a candidatura do atual presidente que tenta a reeleição, Paulo Amaral. Já se o desempenho estiver aquém do esperado, isso pode servir de álibi para o grupo contrário. Alheio a essas questões políticas, o grupo de jogadores se reapresenta na manhã desta terça-feira para iniciar os treinos. O próximo jogo do São Paulo está marcado para sábado, às 19 horas, no Maracanã, diante do Botafogo.

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