Andrew Boyers/Reuters
Andrew Boyers/Reuters

Desabrigado por guerra, time realiza sonho na Liga dos Campeões

Qarabag, do Azerbaijão, tem brasileiro como estrela e representa região do país que sofreu com conflito contra armênios

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

27 de setembro de 2017 | 07h00

O jogo entre Qarabag e Roma, pela Liga dos Campeões, nesta quarta-feira, será um marco na história do Azerbaijão. Além de ser o primeiro jogo em casa pela fase de grupos do torneio a ser realizado no país, a partida marca a volta por cima do mandante. A equipe não pode jogar em sua cidade de origem, Agdam, desde uma guerra civil com a Armênia ter obrigado o clube a mudar de sede para a capital, Baku, há mais de 20 anos.

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O conflito territorial entre os dois países começou em 1988 e terminou em 1994, com um armistício. A disputa teve como um das vítimas fatais em 1993 o então técnico do Qarabag, Allahverdi Bagirov, morto em uma explosão de mina terrestre.

"Muita gente perdeu parentes na guerra, foi uma catástrofe para o país. Então, cada vitória a gente celebra por essas pessoas", disse ao Estado o meia brasileiro Richard Almeida, principal jogador do time e com passagens pela seleção azeri. Revelado pelo Santo André, ele passou pelo futebol português e está há cinco temporadas no Qarabag.

A região da cidade Agdam é atualmente pouco habitada no país. O território pertence ao Azerbaijão, mas a situação local permanece tensa. "O presidente do clube sempre nos fala dos horrores da guerra, da catástrofe que foi. O sofrimento com tudo isso fez a torcida ser mais fanática pelo esporte e se realizar com as nossas vitórias", afirmou o brasileiro.

Maior potência do futebol local, o Qarabag ganhou as quatro últimas ligas do Azerbaijão. O clube conta com o patrocínio pesado de um conglomerado de empresas alimentícias. A companhia tem ainda como projeto social o auxílio aos desabrigados pela guerra com os armênios, batizada de Nagorno-Karabakh.

"Todas as torcidas daqui torcem para a gente, porque somos os donos do campeonato local. O público do Azerbaijão sente orgulho de nós, tanto é que fomos recebidos como heróis depois de nos classificarmos para a fase de grupos", disse Richard. A vaga inédita veio após passagem por três fases preliminares, a última delas sobre o tradicional Copenhague, da Dinamarca.

Apesar da história sofrida, o clube desfruta de ótima estrutura, segundo Richard. O Qarabag inagurou recentemente um centro de treinamento moderno e tem investido em contratações. Aos poucos a transferência forçada de cidade deixa de ser uma cicatriz. "São seis horas de viagem entre uma cidade e outra. Mas devido às condições, aos poucos os moradores têm se mudado para a capital para acompanhar o nosso time", explicou.

Na primeira rodada da fase de grupos a equipe azeri teve missão difícil. A estreia foi logo em Londres, contra o Chelsea. O time visitante perdeu por 6 a 0.

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