Desafio é 'embelezar' as arquibancadas provisórias da Arena Corinthians

Empresa responsável pelos assentos provisórios garante que eles terão o mesmo padrão do restante do estádio

Paulo Favero, O Estado de S. Paulo

05 de janeiro de 2014 | 05h04

SÃO PAULO - O maior desafio para a colocação das arquibancadas provisórias na Arena Corinthians é adequar a estrutura temporária ao projeto original, que já recebeu prêmios importantes de arquitetura pela beleza. E o Estado mostra em primeira mão como será feita essa adaptação, que tentará oferecer ao torcedor o mesmo padrão que ele terá em outros setores do estádio. A obra é importante porque somente por causa dessa ampliação de 19,8 mil lugares o estádio poderá receber a abertura da Copa de 2014.

A empresa escolhida para fazer o trabalho foi a Fast Engenharia, que atualmente coloca as fundações para a instalação dos prédios. "Não terá nível inferior nenhum, isso é fato. Quem vê de perto, de longe ou do campo não vai saber falar o que será fixo ou provisório", diz Antônio Domingos Fasolari, diretor-presidente da empresa.

Atrás de cada um dos gols ficarão os maiores espaços, com capacidade para 8.800 pessoas cada. Neles haverá os mesmos serviços do restante do estádio, como banheiros, lanchonetes, postos de saúde e tudo mais. Inclusive elevadores, sendo que dois deles serão utilizados apenas para o transporte de carga. "As arquibancadas provisórias terão o mesmo conforto do restante do estádio em tudo: acessibilidade, banheiros, bares, assentos. Para se ter uma ideia, as pias são de louça, como nos outros pontos", afirma Fasolari.

Os números são até curiosos. A quantidade de louça para a estrutura provisória é grande. São 250 mictórios, 232 bacias sanitárias e 178 lavatórios, por exemplo, em 1.200 metros quadrados de banheiros. Para não deixar a estrutura metálica à vista, uma "tela" de Sombrite vai cobrir as arquibancadas provisórias, mas ela será vazada para deixar o vento passar.

O executivo explica que o torcedor que comprar ingresso para a Copa e ficar no setor não sentirá diferença em relação aos outros assentos de arquibancada do estádio. "O objetivo é fazer a obra com as mesmas características do restante do estádio. Os tipos de cadeiras, o tipo de fechamento, de acabamento, tudo isso é completamente igual ao resto do estádio", diz Fasolari, fazendo uma comparação com a Fonte Nova, em Salvador, que também terá assentos provisórios na Copa do Mundo. "Lá também é assim. A beleza e o acabamento são tão perfeitos que ninguém percebe o que é fixo e o que é provisório naquele espaço móvel de cinco mil lugares."

Essa padronização visual é o grande desafio da obra, que não teve de parar por causa do acidente que provocou duas mortes no estádio, em 27 de novembro. "Temos dois principais desafios: o primeiro, na questão do cronograma, é adequar a montagem da Fast ao término das obras da Odebrecht. O segundo é manter o mesmo padrão de beleza e acabamento, como nas cadeiras, e na instalação de banheiros, paredes e lanchonetes", afirma Fasolari.

Mesmo com o acidente, as obras no setor Sul estão em ritmo normal e no Norte elas começarão a partir do aval da Odebrecht. A montagem da estrutura está sendo bancada pela Ambev e é orçada em cerca de R$ 38 milhões. Deve ficar pronta em abril, dentro do prazo estipulado pela Fifa para o término do estádio. Após a Copa, as arquibancadas serão desmontadas, com duas mil toneladas de material deixando Itaquera.

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