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Desafio maior

Prêmios individuais geram obsessão de jogadores como Neymar, mas jogo é coletivo

Mauro Cezar Pereira, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2018 | 04h00

Neymar se transformou no jogador mais caro da história ao trocar a Catalunha por Paris em negociação de € 222 milhões (quase R$ 1 bilhão), e se propôs a ser o melhor do mundo. Óbvio direito dele, como extraordinário jogador que é e pelo currículo que já apresenta.

Nada demais para quem já foi artilheiro e protagonista numa final de Liga dos Campeões (Barcelona 3 a 1 Juventus em 2015), marcando um dos gols da vitória de seu time. Foi o décimo dele no certame, tento que fez do brasileiro um dos três goleadores daquela competição — Messi e Cristiano Ronaldo foram os outros.

Nada demais para quem, aos 19 anos, conduziu o Santos ao título da Libertadores em 2011 e chegou ao Mundial de 2014 como estrela maior da seleção brasileira, com 22 de idade. Promessa que se concretizou após anos de investimento do clube para tê-lo em seu time principal, Neymar possui, em tese, tudo para ser maioral.

Mas ao sair do Barça para assinar com o Paris Saint-Germain, praticamente oficializou seu objetivo pessoal. Pessoas passaram a esperar dele mais. Querem a excelência que já demonstrou em campo, em um nível ainda mais elevado. Nível de Messi e Cristiano Ronaldo.

Em meio à obsessão por prêmios individuais, não se pode esquecer que o jogo é coletivo e para um brilhar intensamente outros dez devem colaborar. E bem. O duelo com o Real Madrid do craque português, na Espanha, foi o primeiro desafio gigantesco de Neymar em sua aventura parisiense. Com lições.

Neymar jogou pela esquerda, em boa parte do cotejo bem aberto, como em muitas ocasiões desde que chegou ao PSG, mas se movimentando pelo meio e caindo no lado direito até com maior frequência do que em geral.

Se em seis jogos anteriores pela Liga dos Campeões o camisa 10 fez meia dúzia de gols e somou 26 finalizações (média de 4,3 por partida), em Madri foram somente dois arremates. Um apenas no alvo, detido pelo arqueiro Keylor Navas. Pouco. Era um Neymar mais facilmente neutralizado.

No dia 6 de março, em Paris, caberá a ele virar um jogo no qual a desvantagem de seu time não é pequena. A derrota por 3 a 1 teve dois gols de Cristiano Ronaldo. Se não conseguir, será criticado e não faltará quem deprecie seu talento.

Antes do novo confronto, ele precisará de concentração e equilíbrio que o conduzam à inspiração necessária diante de tão dura missão. O desafio aumentou e se não for superado, Neymar deverá demonstrar maturidade incomum para seguir em busca de suas metas em futuras temporadas.

Ainda mais em ano de Copa, sendo ele a estrela maior de um Brasil em busca da recuperação pós-7 a 1. Sem esquecer que no futebol o coletivo leva ao sucesso individual e ciente de que terá outras chances para provar que está no nível de Messi e Cristiano Ronaldo. Em Madri, ficou longe disso.

CLÁSSICO

Mais volume e finalizações em casa, tendo apenas sua torcida, não bastaram para o São Paulo. Ainda parece inviável a reunião de Cueva, Nenê e Diego Souza. Qual deles decide? O Santos sabe quem tem tal missão: Gabigol, que fracassou na Itália e em Portugal, mas em pouco tempo dá retorno técnico por aqui. Bom para ele, preocupante para nosso futebol.

CORINTHIANS

Os cofres estão vazios não é de hoje. Mesmo assim pipocam “notícias” sobre contratações, algumas inviáveis no momento. Enquanto o estádio drena receitas, o futebol perde recursos financeiros. O atípico ano de 2017 dificilmente se repetirá na atual temporada. Por isso mesmo foi atípico, e 2018 parece ser tempo de paciência.

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