Helvio Romero/Estadão
Helvio Romero/Estadão

Desafios de 2014 não assustam Valdivia

Jogador assume condição de protagonista no centenário do Palmeiras e na seleção chilena

Daniel Batista, Luiz Antônio Prósperi e Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2013 | 07h48

SÃO PAULO - Valdivia sabe que 2014 será um ano de muitas cobranças e desafios. Para se ter uma ideia do que vem por aí, o chileno está escalado para ser a estrela do centenário do Palmeiras e comandar a seleção chilena que vem para a Copa do Mundo. Em entrevista exclusiva ao ‘Estado’, o meia falou da responsabilidade de ser o protagonista, criticou a gestão anterior do clube, admitiu ter jogado machucado algumas vezes em 2012 e que não pretende se poupar para chegar bem no Mundial.

BALANÇO DA TEMPORADA

Nosso objetivo era subir, mas um time da grandeza do Palmeiras não pode se contentar com isso. O ideal seria ganhar outro título, mas não conseguimos. Em relação ao meu desempenho, nunca fico contente porque sempre quero mais. Gostaria de ter jogado mais e acho que essa é a minha dívida, principalmente no início do ano, quando joguei menos que o esperado. A cobrança em cima de mim é que não joguei nos momentos em que o Palmeiras mais precisava, mas tenha certeza que não foi por falta de vontade. Nunca fugi de pressão, pelo contrário. Gosto de jogos decisivos porque fazem com que você seja mais valorizado.

MUDANÇA DE POSTURA

Eu vi que precisava mudar. Via meus amigos jogando pela seleção chilena e isso me fez repensar o que estava fazendo. Tive medo de ficar fora da seleção, de ver meu país indo para uma Copa e eu não podendo ajudar em nada. E também tem o lado do Palmeiras que, desde a chegada do Paulo Nobre, tudo mudou. Sei que no ano que vem a pressão será grande e estou preparado para encarar tudo isso. Esta diretoria confia em meu trabalho. Acabou aquela história de vir presidente (Arnaldo Tirone) e diretor (Roberto Frizzo) te jogar contra a torcida.

RELAÇÃO COM TIRONE E FRIZZO

Acho que eles nem tinham consciência do que falavam. Quando o teu chefe te expõe ele está fazendo mal ao clube. Eles chegaram a falar da minha vida pessoal e não tinham nada a ver com isso. Lembra quando o Frizzo falou que não ia trazer o Barcos porque o Palmeiras não era a Marinha? Pela grandeza do Palmeiras, eles deveriam ter mais cuidado para falar.

RÓTULO DE CHINELINHO

Ninguém quer se machucar e isso não acontece só comigo. Todo mundo se machuca, mas não se fala muito. Quando é comigo, parece que tem uma conotação diferente. E também teve alguns casos em que eu voltei a jogar antes de estar preparado.

CULPA NAS LESÕES

Aconteceu muitas vezes no passado do treinador pedir para jogar antes de estar totalmente recuperado. Eu voltava sem ter o preparo físico, mas nunca quis falar isso para não falarem que estava culpando alguém por minhas lesões. O pessoal da seleção mostrou muita preocupação comigo também, tanto que mandaram um médico aqui só para fazer um trabalho comigo. Durante um tempo fiquei praticamente o dia inteiro fazendo tratamento, mas nunca quis falar isso para não me fazer de vítima. Sou pago para jogar no limite. Agora que acabou o ano eu posso falar sobre isso.

TIRAR O PÉ EM 2014

Nunca pedi para ser poupado nem vou pedir. O que eu sei é que preciso e quero jogar. Quando o treinador achar que tenho de jogar, pode contar comigo.

ADVERSÁRIOS NA COPA

Se for possível evitar encontrar os “feras” logo de cara, melhor. Quero chegar na final ganhando da Arábia Saudita, Iraque, mas elas não vão para a Copa, então o jeito é jogar contra qualquer um. A nossa seleção vai brigar com todo mundo. Temos jogadores que passam por momentos incríveis, como o Vidal, o Sanchez e o Vargas. Não vamos fugir de ninguém, porque nosso sonho é chegar na final e temos grandes chances de conseguir fazer isso.

PROTAGONISTA NO MUNDIAL

Todo jogador sonha com isso e no meu caso jogar no Brasil será um diferencial. Eu vou estar praticamente em casa, porque vai ter muitos palmeirenses e alguns que não são palmeirenses, mas gostam de mim, que vão torcer pelo Chile. E pode ter certeza que assim como aconteceu na África do Sul, os chilenos vão vir em peso para os jogos.

ENCRENQUEIRO EM CAMPO

Está no sangue (risos). Acho que tudo é válido dentro de campo. Brigas com juízes e jogadores fazem parte do futebol e se eu não mudei até agora, com 30 anos, não mudarei mais (risos).

CONTRATO DE PRODUTIVIDADE

No futebol é comum este tipo de contrato. O Kleina aceitou um contrato assim porque ele sabe que pode se valorizar ficando no clube. E para ficar no Palmeiras, no ano do centenário, eu aceitaria um contrato de produtividade sem problemas.

PERMANÊNCIA DE GILSON KLEINA

Foi uma boa escolha ficar com ele. O Palmeiras precisa de alguém que conheça o grupo e que já está acostumado com a pressão que é dirigir o Palmeiras. Ele chegou num momento em que ninguém queria dirigir o time, saiu de um lugar cômodo, a Ponte Preta, e deu a cara para bater.

INTELIGÊNCIA PARA JOGAR

A maioria dos atacantes sabe que quando eu pego a bola, eles têm que ir no espaço de olho fechado porque a bola vai chegar lá (risos). O time do Palmeiras tem muitos jogadores inteligentes e facilitam o trabalho.

DEIXAR O PALMEIRAS

Pensei nisso na época do sequestro. Estava decidido a abandonar o País porque minha família foi embora e pediram para eu ir junto. Felizmente eles voltaram e tudo se acertou. O sequestro aconteceu num momento muito ruim, com o time mal, mas aquela fase já passou.

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