Marcos de Paula
Marcos de Paula

Almir Leite e Silvio Barsetti, O Estado de S.Paulo

05 Março 2015 | 07h00

Descontentes com os valores que vão receber da televisão a partir de 2016 pela transmissão dos jogos do Campeonato Brasileiro, vários clubes estão se mobilizando para lutar por um aumento de cotas. A discussão com a Rede Globo já está em andamento, mas um acordo ainda deve demorar. A intenção da maioria dos clubes é convencer os detentores dos direitos de transmissão a destinar a eles valores que se aproximem do que será pago a Corinthians e Flamengo.

A insatisfação se explica: os clubes foram divididos em cinco grupos, de acordo com a audiência, para o estabelecimento das cotas a serem pagas. Pelo contrato assinado com a Globo, entre 2016 e 2018 Corinthians e Flamengo, que formam o Grupo 1, receberão R$ 170 milhões por ano. Já o São Paulo terá direito a R$ 110 milhões e Palmeiras e Vasco, integrantes do Grupo 3, a R$ 100 milhões cada (leia arte nesta página).

O problema é, a partir de 2016, que a diferença de ganhos entre as faixas vai aumentar significativamente. Este ano, por exemplo, Flamengo e Corinthians vão receber R$ 30 milhões a mais que o São Paulo e R$ 40 milhões a mais que Palmeiras e Vasco. Do próximo ano em diante, a diferença subirá para R$ 60 milhões e R$ 70 milhões, respectivamente.

Isso levou os clubes que fazem parte dos Grupos 2 ao 5 a articular luta para tentar reduzir a diferença para a “turma de cima’’. Um dos mais inconformados é Eurico Miranda, presidente do Vasco, que pretende melhorar o quinhão de seu clube. “O Vasco até agora não reivindicou nada. O Vasco não pretende fazer nada. Vai ter ainda uma discussão para tratar de um novo modelo (dessa distribuição de cotas)’’, disse.

O dirigente reclama do critério de divisão do pay-per-view, que dá ao Flamengo audiência – e por consequência venda de pacotes – muito maior do que a de seu clube. “É isso que o Vasco está questionando. Por que essa diferença? O Vasco não pode ser prejudicado.’’

Eurico é uma espécie de “líder dos revoltosos’’. Seu jeito explosivo e seu poder de argumentação são aposta de “colegas’’ como Modesto Roma, do Santos. “Em primeiro lugar, temos de ouvir com muita atenção o Eurico Miranda, que pelo jeito dele às vezes se torna polêmico, mas é um homem de grande visão e que defende os interesses do clube dele com unhas e dentes’’, diz.

O santista ressalta não haver pretensão de equiparar as cotas, “porque não dá para se comparar falsos iguais”. “O que se pretende é diminuir a diferença entre as cotas de Flamengo e Corinthians e demais grandes.’’

MEDIADOR

Roma não acredita em solução rápida. Ele afirma que a discussão está no início e aposta que deverá ganhar força quando Marco Polo Del Nero assumir a presidência da CBF, no mês de abril. A entidade já vem negociando com a Globo – e o diretor da emissora responsável pela área, Marcelo Campos Pinto, estava presente na reunião do Conselho Arbitral do Campeonato Brasileiro de 2015 que ocorreu na segunda-feira.

“A CBF tem conversado com a Globo no sentido de viabilizar o interesse dos clubes’’, disse Del Nero ontem ao Estado por telefone. Ele estava em Assunção, no Paraguai, onde foi reeleito representante da Conmebol no Comitê Executivo da Fifa por mais quatro anos. 

Segundo ele, a CBF tem de fazer “papel de conciliador’’ na questão. Ele acredita ser possível um acordo. “Os clubes não querem que os de cima (Flamengo e Corinthians) ganhem menos, e sim querem ganhar mais.’’Campos Pinto foi procurado por e-mail, via assessoria da Globo, sem sucesso. 

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Del Nero é contra a volta do 'mata-mata', mas vai ouvir clubes

Futuro presidente da CBF defende os pontos corridos

Almir Leite e Silvio Barsetti, O Estado de S. Paulo

05 Março 2015 | 07h00

O presidente eleito da CBF, Marco Polo Del Nero, é contra à volta do mata-mata ao Campeonato Brasileiro. No entanto, não vai deixar de ouvir os clubes, que começam a articular uma proposta de mudança do sistema de disputa da competição. Na segunda-feira, inclusive, eles criaram uma comissão para discutir vários temas ligados ao futebol, entre eles a fórmula de disputa do Nacional.

Del Nero assume a confederação em abril, mas diz que a ideia não lhe agrada. “Pessoalmente, sou contrário. Entendo que a CBF já tem uma competição mata-mata, que é a Copa do Brasil, e o Brasileiro vai bem nesse formato atual’’, disse ao Estado por telefone.

Apesar disso, ele não fecha questão sobre o assunto – comportamento diferente do de Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF, que jamais aceitou discutir o abandono dos pontos corridos. “O campeonato é disputado pelos clubes. Cada um tem sua posição e tem o direito de manifestá-la’’, considera Del Nero. “Mas é preciso haver um estudo profundo.’’

A alteração, se vier ocorrer, não será para o próximo Brasileiro, que começa em 9 de maio e já tem tabela e regulamento definidos. Pelo Estatuto do Torcedor, uma mudança de regras só poderá ser efetivada a partir de 2016. Além disso, os clubes ainda nem começaram a conversar de maneira efetiva sobre tal possibilidade. A comissão formada por Atlético-MG, Atlético-PR, Coritiba, Flamengo, Grêmio, Santos, Sport e Vasco ainda nem marcou uma reunião para tratar do assunto.

O “mentor’’ da volta do mata-mata é o presidente do Grêmio, Romildo Bolzan Júnior, que assumiu o clube gaúcho no fim do ano passado. Desde então ele tem tentado levar clubes para seu lado, e já conseguiu a simpatia de alguns do Nordeste e do presidente da Federação Bahiana de Futebol, Ednaldo Rodrigues.

Outro presidente que pode apoiar o mata-mata é Modesto Roma Júnior, do Santos. Mas ele entende ser preciso uma discussão profunda e abrangente. “Estou perfilado com o presidente do Grêmio nas propostas de se discutir amplamente mudanças no futebol brasileiro. Precisamos reunir federação, confederação, clubes, a grande imprensa e a televisão, que é quem paga o espetáculo.’’

Eurico Miranda, presidente do Vasco, reitera sua posição por um “sistema híbrido’’. “Não tem nada discutido, mas a ideia do Vasco é que seja pontos corridos e no final os quatro mais bem classificados disputariam semifinais e final

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