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Desculpas esfarrapadas para maquiar futebol pobre do Palmeiras

Aprofundando o debate, o nível de futebol do time no Mundial não é com o qual devemos nos contentar

Mauro Cezar Pereira, O Estado de S.Paulo

15 de fevereiro de 2021 | 05h00

Apenas 12 dias depois de alcançar a “Glória Eterna”, como a própria Conmebol resume a conquista da Libertadores, o Palmeiras caiu na boca do povo. Nas bocas rivais, alvo de uma infinidade de memes. Tudo porque fracassou no Mundial de Clubes, no Catar.

Nenhum gol marcado após duas partidas. Primeiro a derrota (1 a 0) para o Tigres, sendo amplamente dominado pelo conjunto mexicano. Depois o 0 a 0 com o Al-Ahly. Piorou o cenário com a derrota para o time egípcio nos pênaltis, o que deixou o campeão sul-americano na quarta posição no certame da Fifa. Como entrou nas semifinais, tal colocação equivale ao pior resultado possível.

Político, com a distribuição de vagas para todos os continentes, sem real desafio técnico para quem ganha a Champions League, esse Mundial de Clubes praticamente desprezado pelos europeus é supervalorizado por sul-americanos. E gera situações que beiram o inacreditável.

Foi o caso do Palmeiras, que levantou o maior título possível para um clube da América do Sul e dias depois parecia um time fracassado. Tudo porque sequer chegou ao duelo com o Bayern de Munique, campeão europeu e melhor time do “Velho Mundo” na última temporada.

A oportunidade de encarar o mais poderoso do planeta é o que de mais interessante a competição oferece. Porque derrotar o “dono” da Europa é quase missão impossível, tal a distância econômica e, consequentemente, técnica, além da organização, entre a bola que rola lá e aqui.

A possibilidade torna-se real quando o representante europeu no Mundial é o campeão do continente, mas não o melhor time. O Corinthians aproveitou a chance contra o Chelsea, que chegou em crise ao Japão para a disputa em 2012. Não era o caso desta vez.

Mas o Palmeiras nem alcançou o duelo com o Bayern, foi mal, fez feio.

Ficou pior ainda devido à maneira como perdeu para o Tigres. Atuação fraquíssima de um time campeão da Libertadores, mas que não apresenta bom futebol.

Sim, é possível ganhar um título importante jogando pouco, mas a taça ofusca os defeitos sob os olhos de muitos. E aí o que se observou foi algo constrangedor. Uma série de justificativas para o papelão palmeirense inundou parte da mídia.

O objetivo? Não colocar o dedo na ferida, quando é mais do que preciso fazê-lo. Por que tamanha dificuldade de tantos diante do que o campo mostrava? Por que não admitir que o futebol mostrado foi ruim, abaixo do que se esperava e o Palmeiras poderia apresentar? Querem iludir a quem?

Paralelamente, rivais não perdiam a chance, ainda mais diante da importância que os próprios palmeirenses dão ao Mundial. E tome piadas, memes. Algo cruel com o Palmeiras, afinal, a equipe ganhou a Libertadores e pouco mais de uma semana depois estava na mira dos gozadores.

E eles não perdoaram. Implacáveis, quase que como contraponto à benevolência de parte da imprensa, que deveria criticar o mau futebol apresentado. Sem gozações, evidentemente. Mas aprofundando o debate, afinal, não é esse o nível de futebol com o qual devemos nos contentar. Dos cinco últimos jogos internacionais que disputou, o Palmeiras fez um muito bom, nos 3 a 0 sobre o River Plate, na Argentina. Foi a única ótima partida da equipe na campanha do título sul-americano.

Quem vinha percebendo (e aí reside a pergunta obrigatória, como não notar?) isso não se assustou com o futebol mostrado no Catar, com ligações diretas e sem inspiração. Apesar dos que tentam tapar o sol com a peneira.

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