Sérgio Pérez / Reuters
Sérgio Pérez / Reuters

Desde junho de 2014 à frente do time, Gallardo é arma do River contra o Palmeiras

Clube argentino enfrenta o Palmeiras nesta terça-feira na abertura das semifinais da Copa Libertadores

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

04 de janeiro de 2021 | 05h00

Palmeiras e River Plate começam a decidir nesta terça, em Buenos Aires, uma vaga na final da Copa Libertadores com uma filosofia bem diferente sobre o comando. Enquanto o time argentino mantém o treinador Marcelo Gallardo no cargo desde junho de 2014 e soma no currículo dois títulos do torneio, a equipe alviverde teve nesse mesmo período uma rotatividade imensa na comissão técnica. Nesses últimos seis anos e meio, o Palmeiras teve 11 treinadores efetivados e 12 trocas.

Gallardo foi contratado pelo clube argentino aos 38 anos após ter uma passagem rápida no comando do Nacional, de Montevidéu. Logo na primeira temporada à frente da equipe ele conquistou a Copa Sul-Americana, o primeiro dos 11 títulos que acumula no cargo. As principais taças foram as Copas Libertadores de 2015 e 2018. Nas últimas seis edições do torneio continental, em cinco o River Plate foi no mínimo semifinalista.

O trabalho em revelar jogadores e conhecimento profundo sobre o clube onde foi revelado ajudam Gallardo a ter uma longevidade impensável para os padrões brasileiros. “Ele conhece muito o River e ainda como jogador, sempre entendeu muito bem o jogo. Marcelo tem uma empatia grande com os jogadores, porque é franco e conversa abertamente com todos. Alguns o consideram como um pai”, disse ao Estadão o jornalista argentino Diego Borinsky, autor de dois livros sobre o treinador: Gallardo Monumental e Gallardo Recargado.

Quando o River Plate decidiu em junho de 2014 trocar Ramón Díaz por Gallardo, o Palmeiras havia acabado de contratar o argentino Ricardo Gareca. A aposta durou poucos meses e somente no fim de 2020 a equipe voltou a recorrer a um estrangeiro. Porém, até a diretoria optar pelo português Abel Ferreira, variados perfis de treinadores foram testados no clube.

Nos últimos anos, o Palmeiras contratou ídolos do passado, como Luiz Felipe Scolari e Vanderlei Luxemburgo. O clube também contratou profissionais experientes, entre eles Marcelo Oliveira, Oswaldo de Oliveira, Dorival Júnior, Mano Menezes e o próprio Cuca, que teve duas passagens.

Uma outra vertente da diretoria foi buscar profissionais mais jovens. Eduardo Baptista e Roger Machado foram as escolhas para o início das temporadas 2017 e 2018, respectivamente. Nesses seis anos e meio o clube conquistou uma Copa do Brasil, dois Campeonatos Brasileiros e um Campeonato Paulista.

Enquanto o Palmeiras trocou o comando pela falta de resultados, o River deu a Gallardo a liberdade de modificar até mesmo departamentos do clube. O técnico fez a diretoria contratar uma médica especialista em neurociência. Sandra Rossi é formada nos Estados Unidos e tem experiência anterior com atletas de lutas. O trabalho dela é fazer o elenco desenvolver técnicas de raciocínio rápido e estimular que mesmo com o esforço físico o cérebro dos atletas possa funcionar corretamente.

O treinador chega a passar 12 horas por dia dentro do centro de treinamento do River ocupado com as tarefas do time e até gosta de participar de treinos recreativos. Nessas horas mais leves, Gallardo costuma desafiar os goleiros sobre quantos gols vai conseguir marcar e geralmente o aproveitamento é elevado.

“Marcelo sempre foi muito inteligente como jogador, pois sabia o que fazer com a bola antes dela chegar aos seus pés. Como treinador ele é assim também e costuma estudar para cada adversário até duas ou três estratégias diferentes para se buscar a vitória”, disse o biógrafo de Gallardo.

O adversário do longevo argentino é um português que está há apenas dois meses no cargo. Abel Ferreira sabe da dificuldade de se enfrentar um dos rivais mais tradicionais da América do Sul e assim como Gallardo aposta na neurociência, o palmeirense confia no aspecto mental. “A melhor forma de controlar nossa ansiedade é estarmos seguros do que cada um tem que fazer dentro de campo, focar naquilo que tem que fazer. Não adianta pensar no futuro, no final do jogo. Isso nos põe mais ansiedade”, explicou.

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