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Luxemburgo conquistou apenas estaduais desde o Real

Técnico não consegue repetir o sucesso de outras épocas

Igor Ferraz, O Estado de S. Paulo

04 de dezembro de 2015 | 11h49

Desde a saída do gigante Real Madrid, há quem diga que Vanderlei Luxemburgo passou por um descenso na carreira: em dez anos, foram mais nove mudanças de clubes, passando por mais 7 times diferentes até desembarcar na província chinesa de Tianjin para treinar o Songjiang na segunda divisão local, conforme já anunciou.

Santos, Palmeiras, Santos (de novo), Atlético-MG, Flamengo, Grêmio, Fluminense, Flamengo (de novo) e Cruzeiro. Nestes clubes, Vanderlei Luxemburgo chegou com muita história como treinador, mas não conseguiu repetir o sucesso das épocas anteriores. Neste período, foram cinco títulos, todos estaduais, o que não chega a ser um ‘desastre’ em termos de conquistas, mas fica longe do esperado por causa do gabarito que Luxemburgo construiu ao longo de sua carreira.

Logo após deixar o Real Madrid (mais precisamente dez dias depois), o treinador voltou para o Santos, mesma equipe que havia deixado para assumir o clube madrilenho. O trabalho na volta à baixada santista representou o mais longo dele  Vanderlei Luxemburgo em um clube: dois anos, comandando a equipe nas temporadas 2006 e 2007.

Mesmo sem o elenco estrelado da passagem anterior, Luxemburgo conquistou o bicampeonato paulista nos dois anos. Porém, fracassou na disputa da Libertadores. Apesar das duas temporadas de trabalho, o time passou por uma enorme reformulação: foram, ao todo, 41 contratações e 37 saídas de jogadores. O técnico deixou a equipe ao fim da temporada 2007, mesmo com o vice-campeonato brasileiro, em meio a ‘desacordos’ com a diretoria a respeito do planejamento para 2008. Poucos dias depois, ele já acertava sua ida para o Palmeiras. Luxemburgo nunca teve problemas com o desemprego no futebol nesses dez anos.

No Palmeiras, ele encerrou o jejum de títulos da equipe que já perdurava desde a conquista da Libertadores em 1999: foi vencedor do Campeonato Paulista de 2008, com um time estrelado por nomes como Valdivia e Diego Souza. Foi o único título da equipe naquele ano. Mesmo assim, Luxemburgo ajudou a equipe a se classificar para a Libertadores do ano seguinte.

O técnico deixou a equipe no meio de 2009, após uma suposta briga com o atacante Keirrison e com a diretoria. Após uma rápida quarta passagem como técnico do Santos (apenas 26 partidas), rumou para o Atlético-MG, onde também teve pouco tempo de trabalho, mesmo após o título mineiro de 2010: foram só 53 jogos. Ao fim daquele ano, assumiu a responsabilidade de comandar o Flamengo, seu clube de coração.

Com a conquista da Taça Guanabara e da Taça Rio, o Flamengo foi o campeão carioca de 2011 com uma equipe estrelada pelos recém-contratados Ronaldinho Gaúcho e Thiago Neves. Naquele ano, o Rubro-Negro chegou a liderar o Campeonato Brasileiro, mas caiu de rendimento e perdeu o título, além de ter fracassado na Libertadores. Mesmo classificando a equipe para o torneio continental do ano seguinte, Luxemburgo foi demitido em 2 de fevereiro de 2012.

Três semanas depois, foi anunciado como novo treinador do Grêmio. Naquele ano, conseguiu ser vice-campeão brasileiro, terminando o campeonato apenas atrás do Fluminense. Porém, seu episódio mais lembrado pelo clube gaúcho foi uma confusão em que se envolveu com os atletas da equipe chilena do Huachipato, pela Libertadores de 2013. Em 26 de julho daquele mesmo ano, foi demitido após 91 jogos e nenhum título.

Novamente, ele não demorou para acertar com um novo clube: seria o Fluminense, onde, por causa da torcida declarada ao Flamengo, já chegaria questionado. Nas Laranjeiras, fez um dos piores trabalhos de sua carreira, com sete vitórias, nove empate e dez derrotas. Naquele ano, já sob o comando de Dorival Júnior, o Fluminense seria rebaixado dentro de campo, mantendo-se na primeira divisão após o polêmico ‘caso Héverton’, da Portuguesa.

AMORDAÇADO

Em 2014, voltou ao Flamengo para um desafio inédito em sua carreira: livrar a equipe da zona de rebaixamento, ou ‘zona da confusão’, como o próprio técnico cunhou o momento da equipe. Luxemburgo teve sucesso no objetivo, chegando ao 10º lugar, mas se manteve no cargo apenas até maio deste ano, quando foi novamente demitido. Em sua quarta passagem pelo Rubro-Negro, também ficou marcado pelo episódio em que se ‘amordaçou’ em uma entrevista coletiva após ser suspenso por dois jogos do Campeonato Carioca.

Pouco depois, assumiria o Cruzeiro, que defendia o bicampeonato brasileiro. Seu trunfo era a última passagem pela equipe, em 2003, quando faturou a inédita tríplice coroa com o campeonato estadual, Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro. Porém, 12 anos depois, teve um trabalho fraco, deixando a equipe à beira da zona de rebaixamento. Era hora de buscar novos ares e aceitar o desafio de treinar o Tianjin Songjiang, na segunda divisão chinesa.

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