Gilvan de Souza|Flamengo
Gilvan de Souza|Flamengo

Desembargador concede liminar e Fla-Flu também terá torcida rubro-negra

Liminar suspendeu decisão anterior do juiz Guilherme Schilling que obrigava clássicoa cariocas a ter torcida única

Clarissa Thomé, Estadão Conteudo

03 de março de 2017 | 17h14

A final da Taça Guanabara terá torcida dividida. O desembargador Gilberto Matos, da 5ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), suspendeu a liminar que obrigava Flamengo e Fluminense a jogarem com torcida única neste domingo, 5, no Estádio Nílton Santos, o Engenhão.

“Não é plausível que a imposição de uma única torcida seja apta a garantir a segurança dos torcedores que pretendem comparecer ao estádio, independentemente dos times que irão jogar”, escreveu o desembargador na decisão.

O Ministério Público ainda analisa se vai recorrer. O promotor Rodrigo Terra vai propor acordo aos grandes clubes para que os clássicos tenham torcidas adversárias nos estádios – os times não poderão distribuir ingressos para torcidas organizadas e terão de identificar os integrantes destes grupos.

A torcida única em clássicos do Rio havia sido decidida pelo juiz Guilherme Schilling, do Juizado Especial do Torcedor e de Grandes Eventos, a pedido do MP, depois que um torcedor do Botafogo morreu e três ficaram feridos em brigas de torcidas no entorno do Engenhão. Na quinta-feira, 3, dirigentes dos quatro grandes times tiveram reunião com o juiz na tentativa de que ele abrisse exceção para a final. Mas Schilling manteve a restrição. Como o mando de campo é do Fluminense, somente os tricolores poderiam comprar ingressos para a final.

Flamengo, Fluminense, a Federação de Futebol do Estado do Rio (Ferj) e a procuradoria Geral do Estado entraram com recurso contra a medida. Entre as alegações, estava a de que a torcida única não garantiria a segurança da partida.

“Não há garantia de exequibilidade da decisão proferida em primeiro grau de jurisdição, na medida em que os torcedores do time contrário ao mando de campo poderão comparecer descaracterizados e adquirir seus ingressos de forma absolutamente tranquila. Esse fato, por si só, prejudicaria a logística da segurança do estádio”, escreveu o desembargador.

Antes da decisão de Matos, Flamengo e Fluminense haviam recebido autorização especial ao Tribunal de Justiça Desportiva para jogarem sem torcida alguma. Era uma tentativa de evitar a torcida única. Na reunião dos clubes com Schilling, somente o Botafogo havia defendido que o jogo ocorresse com a presença da torcida de um dos clubes, já que a morte do torcedor botafoguense, atingido por golpes de espeto de churrasco, não foi esclarecida.

Na segunda-feira, 6, o promotor de Tutela Coletiva vai propor Termo de Ajustamento de Conduta com os grandes times para evitar o enfrentamento das torcidas em dias de jogos. Entre as medidas, Terra quer proibir a distribuição de ingressos para torcidas organizadas, o cadastro de todos os integrantes destes grupos. Esses torcedores terão entrada própria, com conferência online de suas identidades. O time com mando de campo terá de apresentar ainda um “plano geral de ação”, com esquema de segurança para as partidas. O não cumprimento do acordo prevê pagamento de multa de R$ 500 mil. Se houver morte ou lesão grave 3 horas antes ou depois do jogo, esse valor sobe para R$ 3 milhões.

"É fato público e notório que é prática corrente o conflito entre as torcidas organizadas dos clubes compromitentes, que agem com violência desmedida e gerando vítimas de lesões corporais graves e até mesmo homicídios, desvirtuando por completo a finalidade de divertimento e lazer que devem permear os eventos desportivos", justificou o promotor.

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