Alex Silva|Estadão
Alex Silva|Estadão

Desfalques na seleção brasileira aumentam a pressão sobre Dunga

Treinador tenta se virar sem Neymar, Ricardo Oliveira e Douglas Costa

Almir Leite e Gonçalo Junior, enviados especiais a Los Angeles, O Estado de S. Paulo

28 de maio de 2016 | 07h00

Dunga procura se controlar, publicamente encara a pressão com naturalidade, mas sabe que um mau desempenho na Copa América Centenário pode abreviar esta sua segunda passagem pela seleção brasileira. E problemas não lhe faltam. Em curto espaço de tempo, perdeu três de suas peças mais importantes na equipe: Ricardo Oliveira, Douglas Costa, cortados por contusão, e, claro, Neymar, que nem sequer foi convocado.

O treinador sentiu o baque, mas não dá o braço a torcer e tenta enxergar o lado bom das coisas. “A gente quer contar sempre com os melhores, mas essa é a oportunidade para os jogadores (que estão no grupo) aproveitarem, tornarem-se referência’’, diz.

No entanto, a perda de três titulares e o fato de um quarto jogador importante, Daniel Alves, não estar em suas melhores condições físicas, devem levar Dunga a retomar o estilo mais precavido de armar a equipe, algo que vinha esboçando abandonar nas últimas partidas. Como o poder de fogo diminuído, a tendência é que se volte para a solidez defensiva.

Na maior parte dos treinos que realizou nestes primeiros dias de preparação em Los Angeles – sempre com o grupo incompleto – Dunga escalou a equipe que poderia ser considerada titular com apenas um volante, Elias. No entanto, são boas as chances de Luiz Gustavo entrar no time já no amistoso de amanhã com o Panamá, em Denver. É uma maneira de reforçar o sistema defensivo e, ao mesmo tempo, dar mais liberdade ao corintiano de se apresentar à frente.

As circunstâncias, aliadas ao passado recente dentro de campo com a seleção, levam Renato Augusto a ter alguma vantagem sobre Lucas Lima na briga por posição. O meia que está no futebol chinês é menos ofensivo do que o santista, ajuda os volantes quando preciso e essa “composição defensiva” agrada bastante a Dunga.

O treinador já estava “conformado” com a ausência de Neymar, mas lamentou bastante não poder contar com Ricardo Oliveira e, principalmente, Douglas Costa. Mas, ao perder o jogador do Bayern, em vez de substituí-lo por alguém com as mesmas características, optou por Kaká, que normalmente aproveita pouco nas partidas, numa clara opção por experiência e liderança de grupo.

Líderes, aliás, é algo que Dunga pretende descobrir nessa Copa América. Jogadores que venham se juntar a Daniel Alves, Miranda e Kaká, e que também tenham a capacidade de ajudá-lo dentro de campo. “Estamos buscando mais líderes, com comando e que recordem aos companheiros dentro de campo aquilo que treinamos.’’

Sobre a pressão de ter se sair bem na competição dos EUA para não correr o risco de ser demitido, Dunga prefere não pensar muito nisso. “Na seleção, sempre vai existir pressão pelo resultado. Mas a maior cobrança é entre nós (comissão técnica e jogadores), pelo que (o time) pode render, a capacidade de cada um”, disse. 

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