Rubens Chiri/São Paulo
Rubens Chiri/São Paulo

Desgaste, desconfiança e decisões: os primeiros desafios de Aguirre no São Paulo

Treinador renova esperanças do torcedor tricolor, mas tem caminho árduo para estabilizar equipe que passou por oscilações no início de ano

Matheus Lara, O Estado de S.Paulo

12 Março 2018 | 07h00

Anunciado no domingo como novo técnico do São Paulo, Diego Aguirre será apresentado hoje e seus primeiros desafios serão superar a desconfiança em relação à equipe após o início de temporada ruim, recuperar um time desgastado e com departamento médico cheio, e ainda preparar a equipe para jogos decisivos da Copa do Brasil e agora das quartas do Paulistão, em dois jogos contra o São Caetano, segundo da chave.

Jardine revela 'sugestões' de Aguirre para vitória do São Paulo sobre o Red Bull

A tarefa é árdua, mas a diretoria está confiante de que Aguirre dará conta do recado. O uruguaio ficará no Morumbi pelo menos até dezembro. O contrato curto é uma estratégia do clube para se defender do risco já especulado de que Aguirre pode assumir o comando da seleção uruguaia após a Copa do Mundo. Se isso acontecer, ele será o terceiro estrangeiro a deixar o São Paulo para assumir um time nacional recentemente. Foi assim com Juan Carlos Osorio, que deixou o Morumbi em 2015 para comandar o México; e Edgardo Bauza, um ano depois, que trocou o time tricolor pela seleção de seu país, argentina.

Aguirre assume um time que não despertava grandes esperanças no torcedor. Ontem, diante de poucos torcedores, o time levou um susto, mas conseguiu virar sobre o Red Bull por 3 a 1, com gols de Nininho (contra), Arboleda e Marcos Guilherme.

Após perder Hernanes e Pratto, peças fundamentais da reação no Brasileiro de 2017, o São Paulo não conseguiu se acertar. Os principais reforços, Nenê e Diego Souza, ainda não conseguiram mostrar seus potenciais. Assim, a torcida que ficou marcada no ano passado pelo apoio incondicional, perdeu a paciência. Ontem, cerca de 200 torcedores participaram de uma “marcha fúnebre” em frente ao Morumbi para protestar contra a situação: time ruim, derrotas, mudanças de técnico e diretoria.

Aguirre vai meter a mão em tudo isso para dar cara nova ao São Paulo. O pedido da diretoria é que o time volte a ter um padrão de jogo, que a oscilação dê lugar à estabilidade, com segurança defensiva sem abrir mão de propor o jogo. “Aguirre é um técnico atualizado, com grandes trabalhos e referências para o que queremos no São Paulo”, disse o executivo de futebol tricolor, Raí. “Confiamos que ele tem o perfil e a metodologia de trabalho que se encaixam com o clube.”

O desgaste do elenco também já é uma preocupação para a nova comissão técnica. Ontem, para o duelo com o Red Bull, o time não teve seis titulares: Jucilei, Sidão e Reinaldo por lesão; e Cueva, Militão e Hudson (que vem sendo escalado no lugar de Jucilei), por opção. Edimar, reserva de Reinaldo, também está no Reffis.

Depois do jogo, o técnico interino André Jardine revelou que o São Paulo entrou em campo já com sugestões de Aguirre. “Foi um pedido especial dele para poupar alguns jogadores com desgaste maior. Ele também pediu para ver o Diego Souza e o Caíque. No mais, na verdade, concordou com a maneira que estávamos pensando. O grupo tem a consciência de que precisava reagir e mostramos que somos capazes disso.”

A sequência agora é decisiva. Na quarta, o time joga em Maceió na partida de volta da 3.ª fase da Copa do Brasil contra o CRB – defende vantagem de dois gols do jogo no Morumbi. No domingo, enfrenta o São Caetano, de Pintado, ex-auxiliar no clube, no primeiro jogo das quartas do Estadual.

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