Desinteresse surpreende organizadores

O desinteresse do povo de Hong Kong pela presença do Brasil na ilha asiática causa surpresa nos organizadores do amistoso, nos dirigentes da Associação de Futebol de Hong Kong e nos próprios atletas brasileiros. Qual seria a razão para tão pouca repercussão? Há muito tempo, a seleção cinco vezes campeã do mundo não tinha tanta tranqüilidade numa partida fora de seu País.Na entrevista coletiva de jogadores e treinadores das duas equipes, na tarde desta terça-feira, uma das primeiras perguntas foi justamente sobre o tema. Uma repórter chinesa questionou Cafu se ele não estava aborrecido com a falta de assédio em Hong Kong. E citou como exemplo o fato de que quase nenhum torcedor recepcionou a delegação no aeroporto. Lembrou, ainda, que a quantidade de pessoas no hotel em busca de autógrafos dos astros sul-americanos foi inexpressiva na segunda-feira e na terça.O lateral, que completa nesta quarta 171 jogos com a camisa brasileira, preferiu não debater muito o assunto e comentou apenas que espera bom público no Hong Kong Stadium. "Nossa preocupação é tentar proporcionar bom espetáculo para os torcedores", limitou-se a dizer.As arquibancadas, no entanto, dificilmente estarão lotadas - o estádio tem capacidade para 40 mil pessoas. Nesta terça, ainda havia milhares de ingressos à disposição dos interessados. E o movimento nas bilheterias foi baixíssimo.Os dirigentes da Associação de Hong Kong, que esperavam faturar alto com o amistoso, estão irritados com a situação. E põem parte da culpa na imprensa chinesa. Para eles, a divulgação na mídia foi muito mal feita. Os cartolas comentam que os jornais, revistas e televisões deram mais destaque à ausência de Ronaldo do que à presença de astros como Ronaldinho e Roberto Carlos. Por isso, como forma de punir os meios de comunicação, a entidade pediu à assessoria de imprensa do Brasil que não levasse Ronaldinho Gaúcho à entrevista coletiva.Nesta quarta-feira é o primeiro dia do Novo Ano Chinês e o amistoso entre a seleção brasileira e Hong Kong faz parte das festividades na ilha asiática.

Agencia Estado,

08 de fevereiro de 2005 | 21h23

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