Darren Staples/Reuters
Darren Staples/Reuters

Desistências de patrocinadores e cartolas 'esvaziaram' jogo do Uruguai, diz Fifa

Lugares vazios no estádio de Ecaterimburgo chamaram a atenção na vitória uruguaia sobre o Egito

Jamil Chade, enviado especial / Moscou, O Estado de S.Paulo

16 Junho 2018 | 15h46

A Fifa concluiu que foram as desistências de patrocinadores e dirigentes que não foram até a partida entre Egito e Uruguai, realizada na última sexta-feira, que explica os milhares de assentos vazios no estádio de Ecaterimburgo no confronto válido pela primeira rodada do Grupo A da Copa do Mundo.

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"Avaliamos o caso e podemos confirmar que o assunto tem uma ligação principalmente com a desistência de grupos", indicou a Fifa, por meio de um porta-voz. "Não existem problemas com a operação de ingressos da Fifa que poderia ter impedido os detentores de ingressos a entrar nos jogos", afirmou.

As imagens com dezenas de fileiras vazias irritou parte dos torcedores russos que, nas redes sociais, criticaram os organizadores do jogo. Mesmo as autoridades russas protestaram. "Foi um pouco lamentável ver assentos vazios. Mas não temos controle sobre isso. É a Fifa que lida com tal assunto", disse o governador da região, Yevgeny Kuyvashev.

Neste sábado, torcedores ainda podem solicitar no site da Fifa entradas para 29 dos 64 jogos do torneio, sem sequer a necessidade de passar por um cambista. Não há garantias de que todos sejam atendidos. Mas dirigentes que acompanham Mundiais há anos admitem que essa realidade incomodou a cúpula da organização, que esperava anunciar estádios sempre repletos.

 

Na partida entre Uruguai e Egito, na sexta-feira, a estimativa é de que 6 mil lugares de um estádio de 33 mil não tinham sido preenchidos.

Ainda que a versão da Fifa tenha sido o fato de que os torcedores não apareceram para ocupar seus lugares, os números da entidade apontam que a Rússia não conseguiu gerar a mesma renda em termos de ingresso que a Copa de 2014, no Brasil. Dados obtidos com exclusividade pelo Estado revelam que o Mundial da Rússia vai gerar uma renda de US$ 495 milhões (cerca de R$ 1,8 bilhão) em ingressos. Pelo menos 40% desse valor virá dos torcedores russos.

Apesar de a Copa atingir uma receita recorde, o volume da bilheteria ficou abaixo dos US$ 518 milhões (aproximadamente R$ 1,9 bilhão) obtidos pela Fifa no Brasil, há quatro anos. Naquele momento, eram os torcedores brasileiros que garantiram a maior fatia dos lucros e representaram 60% de todos os ingressos vendidos.

De acordo com a Fifa, 2,4 milhões de ingressos já foram vendidos para o evento deste ano. Outros 120 mil ainda estão no mercado. Mas a presença da Europa Ocidental é relativamente fraca, sendo que 871 mil foram para mãos de torcedores russos, contra 88,8 mil para residentes dos Estados Unidos, que não disputa a Copa. O Brasil vem na terceira posição, com 75 mil.

O primeiro europeu apenas aparece na quinta posição, com a Alemanha somando 62 mil ingressos. Uma posição ainda mais distante está a Inglaterra, com 32 mil bilhetes vendidos e abaixo até da Austrália.

 

 

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