Nilton Fukuda/Estadão
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Desliguem o VAR

Torcedores apaixonados por futebol, de várias bandeiras, odeiam o árbitro de vídeo

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2019 | 04h00

Meses depois de sua implementação, o sistema de árbitro de vídeo, VAR, fracassou no Brasil. A conclusão pode ser precipitada, mas o sentimento existe. E não por sua ideia e intenção, mas pela qualidade das pessoas que o operam. O sistema operacional, câmeras, monitores, intercomunicação entre os árbitros, tudo isso corre nas partidas sem sobressaltos. Não há notícia do seu mau funcionamento. A tecnologia funciona. 

O que não funciona são as pessoas que a CBF e a Comissão de Arbitragem escalam no VAR. Os árbitros de campo são péssimos, salvo alguns mais inteligentes e que entenderam seu uso e se impõem diante dos “caras” da cabine. Esses são ruins, imponentes e inibidores do sujeito de mesma função dentro de campo. O padrão é não ter padrão. O juiz do apito tem sido fraco e sem personalidade. Pior. 

Ele quase sempre não vê nada, e é chamado para ver nas imagens o que não viu a olho nu. Ou se viu, não marcou seguro de que o VAR o chamará de canto. Chega à cabine do monitor à beira do gramado já derrotado, vestindo a carapuça e mudando sua decisão. Geralmente o juiz de campo acata as orientações do árbitro de vídeo. 

Muitos desses lances revistos são julgados tomando com base olhares e impressões subjetivas de quem está no comando do VAR. Nenhum time é beneficiado ou prejudicado mais do que outro. A lambança pega a todos sem distinção e em muitos casos em cima de jogadas que ninguém viu no estádio, tirando do juiz que assopra o apito qualquer comando da competição.

Talvez eu venha sendo repetitivo com as interpretações. Chato até. No entanto, há, com o seu uso em todos os jogos, uma importante constatação. O torcedor o odeia. E isso não tem nada a ver com a decisão tomada em sua cabine. O VAR mudou o futebol para pior. Tenho o hábito de acompanhar jogos nos estádios ao lado do torcedor, em diversos setores, e não erro quando digo que ele não aprova essa tecnologia que a Fifa trouxe para o esporte mais popular do planeta. O VAR no Brasil não agrada, não funciona, provoca revolta não pela sua decisão, mas também, mas sobretudo pela demora e pelo teatro que se faz durante aqueles irritantes minutos de espera. O jogo do Palmeiras com o Bahia, ontem, no Allianz, por exemplo, teve 10 minutos de acréscimo no segundo tempo e 5 no primeiro. São 15 minutos a mais porque a arbitragem está perdida, lenta e atrapalhada.

A justiça que se propõe é esmagada pela subjetividade de quem o opera. Os árbitros de campo, que já eram ruins antes do VAR, agora são péssimos. O jogo para a todo instante. 

O VAR vai afastar o torcedor do estádio com o tempo. O resultado será mais importante para os torcedores do que a partida em si. O 3 a 1, 2 a 0 ou 7 a 1 vai ser suficiente para quem acompanha e gosta de futebol. Porque esse apaixonado vai perder a crença, não vai perder o seu tempo acompanhando os 90 minutos de uma partida porque ela pode ter seu resultado “alterado” por aqueles que não estão sequer no campo. 

Saber o placar vai ser suficiente para deixá-lo feliz ou triste. A disputa que se dane porque o VAR estraga tudo mesmo. O torcedor não vai querer perder seu tempo para se aborrecer na arena ou TV.

Há um terceiro problema que noto com o VAR. Suas imposições podem alterar o calor de uma partida. As decisões têm tirado alguns jogadores do sério. É claro que os atletas precisam aprender a se controlar, mas muitos se perdem e acabam prejudicando seus respectivos times. Ninguém me tira da cabeça que Felipe Melo, do Palmeiras, entrou nessa “pilha” e abusou da força até ser expulso. Por isso, registro o apelo de muitos torcedores: desliguem o VAR.

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