Alexandre Vidal / Flamengo
Alexandre Vidal / Flamengo

Em conflito com diretoria, Arrascaeta pode bater em retirada do Flamengo

Descontente por não estar no mesmo nível salarial de jogadores do primeiro escalão, uruguaio pode deixar o time no meio do ano

Toni Assis, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2021 | 14h00

Mais do que a derrota surpreendente para o Vasco na última quinta-feira pelo Campeonato Carioca, a ausência de Arrascaeta entre os titulares do Flamengo pode representar uma baixa importante no planejamento do técnico Rogério Ceni no decorrer da temporada. Em fase de readequação à realidade financeira com a ausência de receitas de bilheterias, a diretoria do clube da Gávea até que conseguiu manter seus principais nomes sob seu crivo. Mas a demora em recrutar o meia uruguaio ao patamar de primeiro escalão pode estar selando sua saída na abertura da janela de transferências para o futebol internacional.

Dentro do que foi planejado, a diretoria segurou Gabigol e conseguiu renovar e valorizar atletas como Bruno Henrique, Éverton Ribeiro, Diego Alves e Willian Arão. Ainda definiu a compra de Pedro junto à Fiorentina, da Itália, dado o destaque alcançado pelo jogador no ano passado. Mas nessa busca por manter seu elenco milionário, Arrascaeta acabou ficando para trás. O que tinha sido acordado é que, ao fim do Brasileiro, o Flamengo exerceria a compra dos 25% dos direitos econômicos que pertencem ao Defensor do Uruguai. Sem dinheiro previsto, o clube freiou seus investimentos e a alegação é de que não existe possibilidade de arrastar o uruguaio ao patamar do primeiro escalão neste momento.

O contrato de Arrascaeta vai até o fim de 2023. Para tirá-lo do Cruzeiro, o clube desembolsou cerca de 15 milhões de euros (pouco mais de R$ 100 milhões no câmbio atual) e se apoia no direito de exercer o vínculo. A multa rescisória é de 40 milhões de euros (quase R$ 270 milhões). Mas apesar de o jogador estar com contrato vigente, a queda de braço que move o interesse do atleta de ganhar aumento e o do clube em segurar as contas já teve seu primeiro round. De forma inesperada, o meia não entrou em campo no clássico sob o argumento de estar contundido.

Tal alegação bate com o período em que o Flamengo esteve em negociação com o Cruzeiro. O time mineiro tentou rechaçar a transação e o uruguaio parou de comparecer aos treinamentos. Além da investida do clube carioca, a postura do jogador irritou a diretoria cruzeirense e acabou ajudando a acelerar a transferência.

Mas um ponto que vai a favor da permanência do jogador é a opinião do técnico Rogério Ceni. Em recente avaliação do grupo, o treinador sinalizou a necessidade de contratar dois meias para suprir possíveis ausências de Everton Ribeiro e do próprio Arrascaeta durante o ano. Sem uma reposição à altura, o Fla já tem pedido de Ceni como prioridade.

Para este ano, a previsão de receita bruta no clube está na casa dos R$ 953 milhões. Dentro desse planejamento, existe uma projeção de R$ 168 milhões referente à venda de jogadores a fim de reforçar o caixa. Para facilitar o cumprimento dessa projeção, a diretoria prevê que o Flamengo avance até a final da Libertadores. Por suas cotas valiosas, a Copa do Brasil também é tida como prioridade. Um aporte de caixa importante foi a conquista da Supercopa do Brasil diante do Palmeiras no último domingo. Pelo título, o time da Gávea embolsou R$ 5 milhões.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.