Destino de Maradona segue indefinido

Até o fim da tarde desta sexta-feira o destino do astro do futebol argentino, Diego Armando Maradona, ainda era um mistério. Desde a noite anterior a família e os médicos da clínica Suíço-Argentina realizavam um conclave quase ininterrupto para decidir o que fariam com o turbulento ex-jogador. Todos debatiam para onde Maradona seria enviado para realizar um rigoroso tratamento contra a dependência das drogas.Uma das opções era interná-lo em uma clínica na cidade de Buenos Aires. As alternativas de levá-lo para o exterior - países como a Inglaterra, Canadá ou a ilha caribenha de Antigua - haviam perdido força, mas não estavam descartadas. A família estava dividida. Claudia Villafañe - a ex-esposa de Maradona - e a mãe e irmãos do ex-jogador não conseguiam definir qual seria o próximo destino.Além disso, também estava indefinido o pedido que um dos parentes teria que realizar na Justiça para que um deles fosse designado "tutor" de Maradona. Esta seria a saída jurídica para ter instrumentos legais para obrigar o astro a realizar - à força - o tratamento contra as drogas.Diante das demoras em definir o cenário, o pedido na Justiça poderia ficar adiado para a segunda-feira. Os analistas esportivos começaram a entrar em polvorosa. "Esperar até a segunda-feira poderá ser tarde demais", afirmavam.Fúria - O temor é que Maradona novamente tivesse um acesso de fúria. Na quinta-feira à noite, quando acordou depois de 24 horas anestesiado, "El Diez" tentou quebrar os móveis da UTI onde estava internado.Diversos rumores indicam que teria brigado com seu irmão Lalo, além de tentar agredir sua ex-esposa. Os gritos pronunciados na UTI do quarto andar da clínica eram ouvidos desde a calçada na frente do edifício.No meio da confusão sobre o destino de Maradona, no fim da tarde uma manifestação de piqueteiros (denominação dos desempregados que realizam piquetes em avenidas e estradas para pedir comida e dinheiro), marchava pela avenida Pueyerredón quando subitamente parou na frente da clínica Suíço-Argentina.Por alguns minutos, os desempregados olharam curiosos o aglomerado de jornalistas. Quando souberam que tratava-se do lugar de internação de Maradona, as 300 pessoas que marchavam gritaram frases de apoio ao famoso paciente e continuaram sua marcha em direção ao centro.Para acrescentar mais polêmica ao caso, o empresário Mauricio Macri, presidente do Boca Juniors, declarou que se lhe permitissem, se encarregaria dos custos do tratamento do ex-jogador. O apoio de Macri - herdeiro de uma das maiores fortunas do país - foi encarado como uma ironia do destino, já que o empresário é um dos maiores inimigos de Maradona dentro do Boca.

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