"Deus" Maradona nunca morrerá, dizem fãs

"Diego não vai morrer nunca...Deus não morre". A frase era pronunciada hoje pelos fãs do ex-astro do futebol, Diego Armando Maradona, como forma de retrucar a saraivada de críticas que surgiram contra a polêmica decisão do ex-jogador de deixar a UTI da clínica Suíço-Argentina e mudar-se para uma chácara na província de Buenos Aires. Para parte dos argentinos, Maradona é uma espécie de semi-deus que sempre escapa da morte. Para a outra parte, o ex-jogador não passa de uma decadente figura que é um péssimo exemplo, especialmente para os jovens. A imprensa argentina, que de forma quase unânime foi benevolente com "El Pibe de Oro" (O Garoto de Ouro) ao longo desta última crise de saúde, mudou o tom nesta sexta-feira. O principal jornal esportivo do país, o "Olé", colocou uma manchete a modo de conselho: "Diego, não brinque". O jornal econômico "Infobae" foi irônico, afirmando que Maradona havia "dado a alta a si próprio". Segundo o médico Osvlado Curci, especialista em tóxicos, "a vida de Maradona ainda corre perigo". Curci considera que o risco cardíaco ainda permanece. Mariana Lestelle, outra especialista, afirma que um dependente das drogas como o ex-jogador só pode ser levado a um tratamento sério por ordem da Justiça. Depois de estar internado 12 dias, dos quais oito em estado inconsciente, Maradona voltou a caminhar na beira do precipício, jogando golfe sob a garoa, assistindo um show de fogos de artifício no início da madrugada e recebendo um grupo de amigos suspeitos - entre eles o controvertido Ferro Vieira - de terem lhe fornecido em janeiro do ano 2000 a cocaína que lhe causou uma overdose e que quase o matou. Sua ex-esposa, Claudia Villafañe (que se opôs à saída da clínica, sem resultados) e suas duas filhas, Dalma e Gianinna, não fazem parte da "troupe" que acompanha Maradona na chácara. Os analistas lamentaram esta notícia, já que essas três mulheres estavam tentando colocar o ex-jogador de novo nos trilhos. A exuberância da vida de "El Diez" voltou à toda. "Maradona voltou a ser Maradona", afirmavam os comentaristas esportivos. O problema, afirmam fontes do círculo do ex-jogador, é que ninguém consegue dizer "não" a Maradona. Isso ficou claro quando "El Diez" decidiu jogar golfe - sua obsessão ao longo do último ano - um par de horas depois de ter deixado a UTI. O ex-astro esperneou até que os amigos e o médico pessoal, Alfredo Cahe, concordaram em deixá-lo dar uma tacadas no campo de golfe da chácara. "Pelo menos será um pouco de exercício", explicaram. Maradona ficou mais de 40 minutos no campo. A pneumonia que atualmente sofre começou quando ficou jogando golfe sem a camiseta sob a chuva. Na clínica Suíço-Argentina, o clima era de alívio após a partida de "El Pibe". Desde a segunda-feira, quando havia acordado, Maradona havia sido um suplício: não estava satisfeito com a dieta de purê de abóbora e sopa. Em uma ocasião derrubou o prato no chão, exigindo "um churrasco". Para provocar os médicos disparava: "tragam uma bola, pois quero jogar futebol e mostrar que estou bem". Os médicos concordaram em liberar Maradona, mas sem lhe dar a alta. É que ele continua com pneumonia e insuficiência cardíaca, o que o obriga a continuar medicado. Qual será o futuro imediato de Maradona? Os rumores indicam que ele ficaria na Argentina até o dia 21, quando será realizada uma festa de arromba dos 15 anos de sua filha mais jovem, Gianinna (cujo aniversário real é no dia 16). Imediatamente, partiria para Cuba, onde retomaria o tratamento contra a dependência das drogas. O que pode acontecer com o coração e os pulmões do ex-astro até fins de maio sem a estrutura de um hospital, é um mistério. Para os fãs, resta a esperança da frase da filha mais velha de Maradona, Dalma, que no início da semana, quando seu pai acordou, afirmou que "ele tem um Deus particular". Resta saber se a frenética atividade de "El Diego" não será demais para essa divindade paralela.

Agencia Estado,

30 de abril de 2004 | 17h38

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