Niltson Fukuda/ Estadão
Niltson Fukuda/ Estadão

‘Deve ser São Pedro chorando’, diz Temer sobre chuva

Presidente só anunciou ida ao velório após desembarque dos caixões e justificou demora por questões de segurança

Daniel Batista e Gilberto Amendola, enviados especiais a Chapecó, O Estado de S.Paulo

04 de dezembro de 2016 | 09h20

O presidente Michel Temer foi recebido na Arena Condá com indiferença. As temidas vaias não vieram, mas tampouco aplausos foram ouvidos. O presidente, que chegou ao estádio por volta do meio-dia, foi citado apenas uma vez durante o velório dos atletas, jornalistas e dirigentes da Chapecoense. A ida ao local da cerimônia foi cercada de mistério. A decisão em participar, segundo o próprio Temer, teria sido mantida em segredo para não criar desconforto para torcedores e familiares.

Temer chegou às 8h50 no Aeroporto de Chapecó. A presença do presidente foi alvo de bastante polêmica. Alguns familiares reclamaram do fato de precisarem ir até o aeroporto “encontrar o presidente”. Quem vocalizou essa insatisfação foi o pai do zagueiro Felipe Machado, Osmar Machado, no gramado da Arena Condá, na sexta-feira.

A indecisão sobre a presença ou não de Temer na Arena Condá durou até o fim do desembarque dos caixões no aeroporto. “Não disse antes que iria ao estádio porque se eu dissesse a segurança iria colocar pórticos ao redor do estádio e revistar as pessoas que entram. Só comuniquei que vou lá agora para poder facilitar a vida de todos.”

Às 9h05, o presidente entrou em uma área reservada do aeroporto para conversar com as famílias das vítimas do acidente. No local, cerca de 50 pessoas receberam as condolências do presidente e de toda sua comitiva. Quem participou do encontro garante que não houve nenhum tipo de desconforto ou reclamação por parte dos parentes das vítimas.

Enquanto o presidente cumprimentava os familiares em uma sala privada, foram dadas várias informações conflitantes sobre a ida dele ao estádio. A assessoria da Chapecoense informava a ida do presidente à Arena Condá. Mas, ao mesmo tempo, a assessoria da presidência não confirmava a informação. Foi um parente de uma das vítimas quem avisou aos jornalistas que Temer teria afirmado que iria ao velório no estádio.

Quando o primeiro avião chegou trazendo os corpos das vítimas, os familiares saíram do encontro com o presidente e se dirigiram para uma área externa, perto da pista. O clima era de muita comoção. Chovia muito forte e o presidente declarou: “Quando vejo essa chuva penso que deva ser São Pedro chorando a morte desses jogadores.”

Os caixões desembarcaram um a um. Às 9h59, o caixão com o corpo do atacante Thiaguinho foi o primeiro a deixar o avião da FAB.

Os caixões passaram por um corredor de oficiais da cavalaria perfilados ao som da marcha fúnebre. Cada corpo foi conduzido por seis oficiais do Exército.

Como os caixões estavam identificados com o nome das vítimas, os parentes caiam em prantos ao vê-los passar. O primeiro e o último caixões foram recebidos por Temer, além de uma salva de três tiros.

O presidente chegou na Arena Condá sem alarde. A torcida cantava o hino do clube e quase não notou a presença de Temer (ele sequer foi anunciado quando entrou no local da cerimônia). Mais tarde, por volta das 15h, Temer e comitiva aproveitaram um momento em que a arquibancada gritava “Dá-lhe, Chape” para se despedir e deixar o campo. Foi uma saída à francesa.

Tudo o que sabemos sobre:
Michel TemerChapecoenseArena Condá

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.