Andre Penner/AP
Andre Penner/AP

Deyverson entra em campo para tentar extravasar 'loucura' com título

Atacante do Palmeiras sonha com título brasileiro depois de passar o ano dando problemas pelo comportamento

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

25 de novembro de 2018 | 05h00

O Palmeiras sofreu para conter Deyverson nesta temporada. O atacante de jeito desengonçado, entrevistas sinceras, expulsões tolas e de choro fácil deu trabalho para a comissão técnica devido ao seu temperamento, muitas vezes, ingênuo. O jogador, porém, poderá extravasar de forma livre neste domingo, se for campeão brasileiro, conquista que seria a primeira da sua carreira como atleta profissional.

Deyverson, de 27 anos, passou pelo futebol europeu sem conseguir ganhar taças nem perder o jeitão de ser. "Nós, da família, procuramos conversar com ele, dar conselhos. Ele é muito natural, espontâneo. Meu irmão é muito coração. Às vezes, as pessoas não entendem isso direito nele", explicou Anderson Brum, irmão do atacante.

Conhecido pelas maluquices e algumas decisões erradas, Deyverson aprontou um bocado neste ano. No clássico com o Corinthians, arrumou confusão por provocar os rivais com uma piscada. Diante do Ceará, acabou expulso no primeiro tempo por entrada violenta. Na vitória sobre o Santos, dava entrevista até ser interrompido por Felipão, temeroso de que pudesse falar alguma besteira.

Seu estilo é fruto da origem humilde do bairro Santa Margarida, no Rio. Ainda garoto, precisou ajudar a família vendendo caldo de cana e salgados nas ruas. O futebol é uma paixão herdada do pai, Carlos Roberto, professor de escolinha de futebol, e compartilhada pelo irmão mais velho, Anderson, ex-goleiro. Por pouco Deyverson não seguiu outro caminho: a música.

O pagode é uma paixão. Ao ser apresentado pelo Palmeiras, cantou uma música para comemorar. Meses depois, em outra entrevista, revelou que estava mal porque sofria com uma crise no casamento. Sincero e ingênuo, Deyverson chegou a ficar suspenso ao mesmo tempo em três competições na temporada. Na Libertadores, o caso foi emblemático: levou vermelho por ensandecer a torcida.

"O Deyverson é do bem. Às vezes, exagera. Foi massacrado, não podia nem andar na rua", disse o diretor de futebol Alexandre Mattos. Felipão tenta domar seu jeito explosivo.

 

 

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