Wilton Junior/ Estadão
Wilton Junior/ Estadão

Dez lições tiradas do futebol brasileiro em 2019

Organização financeira, futebol ofensivo, aposta em técnicos estrangeiros foram alguns pontos que estiveram em alta na atual temporada

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de dezembro de 2019 | 16h35

O futebol brasileiro mudou nesta temporada graças à chegada de técnicos estrangeiros. O País voltou a enaltecer o jogo ofensivo e a posse de bola, características perdidas no passado recente. A tese de que a Libertadores deve ser priorizada também passou a ser questionada. A principal novidade, no entanto, veio na arbitragem. O VAR trouxe muita discussão em seu primeiro ano de funcionamento. A seleção brasileira passou a valorizar os pontas e foi forçada a fazer um jogo mais coletivo, sem depender de Neymar. O Estado selecionou dez lições que o futebol brasileiro tirou em 2019.   

É POSSÍVEL GANHAR SEM POUPAR 

O Flamengo demonstrou que é possível disputar três competições simultaneamente sem precisar dar prioridade a uma delas. O time rubro-negro venceu o Campeonato Brasileiro com tranquilidade, ergueu o troféu da Libertadores e caiu nas oitavas de final da Copa do Brasil na disputa por pênaltis. O técnico Jorge Jesus por diversas vezes reiterou a importância de colocar em campo o que tinha de melhor e deu apenas descansos pontuais para evitar lesões. 

ORGANIZAÇÃO FINANCEIRA DÁ RESULTADO

Equilibrar as contas do clube demora, exige organização e também paciência com a falta de resultados. Mas depois de se livrar das dívidas, a equipe consegue investir na contratação de jogadores, concorrer com o mercado externo e formar grandes elencos. O Flamengo ficou 17 anos sem ganhar o Campeonato Brasileiro. Mas o título aguardado veio com direito a recorde de pontos e de gols. Foi a vitória do futebol ofensivo para quem fez bem a lição de casa.   

FUTEBOL OFENSIVO EM ALTA

Jorge Jesus chegou ao Flamengo no meio da temporada com a missão de dar liga a um time de jogadores experientes, caros e desentrosados. O técnico português ainda contou com as chegadas dos laterais Filipe Luis e Rafinha e do volante Gerson para completar o elenco. Em pouco tempo, ele encontrou sua equipe ideal, com uma formação ofensiva. Nem contra o Liverpool, na final do Mundial, o Flamengo recuou. O Santos também se mostrou uma equipe ousada, que jogoupara frente em todas as partidas. Terminou o Brasileiro na segunda colocação. 

TÉCNICOS RETRANQUEIROS EM BAIXA

A temporada foi complicada para técnicos que priorizam a formação defensiva. O Corinthians, de Fábio Carille, o Palmeiras, de Felipão e de Mano Menezes, e a seleção brasileira, de Tite, sofreram durante a temporada. Carille, Felipão e Mano iniciam 2020 sem clube e Tite tem ano decisivo para continuar na seleção brasileira. Em comum, a falta de ousadia, o contentamento com resultados menores, a retranca. 

APOSTA NOS TÉCNICOS ESTRANGEIROS

O Santos e o Flamengo apostaram em técnicos estrangeiros e tiveram bons resultados. O Alvinegro, de Jorge Sampaoli, foi vice-campeão brasileiro com um elenco limitado e o Rubro-negro, de Jorge Jesus, faturou a competição nacional e a Libertadores. Sampaoli deixou o Santos ao término da temporada e trouxe o português Jesualdo Ferreira, de 73 anos. Os clubes passaram a valorizar os treinadores de fora como sinônimos de bons profissionais. Os brasileiros terão de se reinventar no mercado.

POSSE DE BOLA GANHA JOGO

Nas temporadas anteriores, na Copa do Mundo da Rússia, ganhou coro o discurso de que não era necessário ficar com a bola para ganhar o jogo. O Corinthians de 2017 foi a prova que o importante era ser objetivo. Neste ano, ganharam as equipes nacionais que propuseram a partida, que dominaram a disputa, que finalizaram mais a gol. Ficar com a bola ainda é importante no futebol.

JOGADORES APRENDEM A TRABALHAR COM O VAR

A estreia do VAR nas competições nacionais rendeu muita polêmica. No início as partidas ficaram paradas por longos períodos até a decisão ser tomada pelo árbitro de vídeo. Durante a temporada, os clubes promoveram palestras aos jogadores para que eles entendessem melhor a nova tecnologia do futebol. Nas arquibancadas, os torcedores têm gritado gol por duas vezes. A primeira quando a bola balança a rede e a outra quando o árbitro de vídeo confirma gol. O aprendizado vai continuar em 2020, mas com mais paciência das partes. 

PADRÃO DE JOGO BEM DEFINIDO

A história de que a equipe muda dependendo do adversário também ficou para trás em 2019. O Athletico-PR, de Tiago Nunes, e o Flamengo, de Jorge Jesus, tinham escalações que não variavam a depender o rival. O rubro-negro carioca jogou com a mesma formação com o lanterna do Brasileiro e também com o Liverpool. Entrosamento conta. 

VOLTA DOS PONTAS

A tendência de escalar atacantes mais agudos pelos lados do campo deu certo na seleção brasileira neste ano. O técnico Tite usou Everton Cebolinha como ponta para vencer a Copa América. Outros exemplos de novos pontas são David Neres, do Ajax e Douglas Costa, da Juventus. Fábio Carille, no Corinthians, reclamou da falta de jogadores de velocidade na temporada. Felipão tentou, mas não conseguiu no Palmeiras. O São Paulo conta com Antony. O Palmeiras também busca esse tipo de atleta. Não é à toa que Michael, destaque do Goiás, está sendo tão disputado.

INDEPENDÊNCIA DE NEYMAR NA SELEÇÃO

As lesões e as polêmicas fora de campo de Neymar possibilitaram a seleção brasileira mudar o estilo de jogar. Menos dependente de seu camisa 10, o time comandado por Tite alternou bons e maus momentos, mas na principal competição do ano, a Copa América, fez o dever de casa e conquistou a taça. O time mais coletivo, sem um protagonista, deu resultado. 

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