Arnd Wiegmann/Reuters
Arnd Wiegmann/Reuters

Diante da corrupção, Fifa perde mais patrocinadores

Deputado inglês Damian Collins, que lidera movimento por uma reforma na entidade, diz que a Fifa é 'uma marca tóxica'

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

22 de janeiro de 2015 | 21h25

A corrupção e escândalos minam a Fifa e alguns dos maiores patrocinadores da entidade optam por abandonar a organização máxima do futebol. Depois de a Sony e Emirates romperem com a Fifa no final de 2014, agora a entidade perde de uma vez só os patrocínios da Castrol, Continental e Johnson & Johnson.

A noticia foi revelada pelo jornal inglês Telegraph Sport e confirmada pelas empresas envolvidas. Dos grandes patrocinadores da entidade, cinco agora optaram por se afastar da organização marcada por crises.

O impacto da fuga de investidores pode ser profundo. Hoje, a Fifa e o futebol vivem desses patrocinadores que, pelo direito de ter seus nomes mostrados de forma exclusiva na Copa do Mundo, transferiam para a entidade mais de US$ 1,5 bilhão a cada quatro anos.

Cada uma das empresas argumenta que tem um motivo diferente para não renovar seus contratos. Mas todos aguardaram o fim da Copa do Mundo no Brasil e um sucesso de vendas para abandonar a Fifa.

Com o fim do torneio, a entidade voltou a debater sua crise de gestão. Joseph Blatter, presidente da Fifa, tentou enterrar uma investigação sobre a compra de votos pelo Catar e Rússia para as duas próximas Copas.

Diante da crise, as multinacionais optaram por tomar distância, apesar de terem a possibilidade de se expor no maior evento do planeta.

"A Fifa é uma marca tóxica", declarou o deputado inglês Damian Collins, um dos organizadores de um movimento que pede uma reforma na entidade. "Empresas que estão preocupadas com sua reputação não querem mais ser associadas a ela".

"Foi uma decisão tomada por razões empresariais", declarou a Johnson & Johnson. Segundo a Continental, a opção agora será por patrocínios locais. A Castrol havia declarado em 2008 que o acordo com a Fifa era o maior de sua história.

No site da Fifa, hoje, apenas cinco empresas eram citadas como patrocinadoras: Visa, Adidas, Coca-Cola, Kia e Gazprom, a estatal russa que está construindo parte dos estádios da Copa de 2018.

A fuga de investidores ocorre ainda às vésperas das eleições na entidade, marcadas para maio. Blatter tentará um quinto mandato. Mas a pressão é cada vez maior.

A empresa de artigos esportivos Skins chegou a montar uma campanha impensável há alguns anos. Ela quer ser a primeira empresa que oficialmente não é uma patrocinadora da Fifa, numa demonstração da rejeição pela entidade.

Uma campanha apelando para empresas não se aliarem à Fifa também ganha corpo, com um site www.officialnonsponsor.com entrando no ar nesta semana. "Esse não-acordo que temos com a Fifa mostra que não compartilhamos dos mesmos valores", ironizou o CEO da Skins, Jaimie Fuller.

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