Amanda Perobelli/Reuters
Amanda Perobelli/Reuters

Diante de sul-americanos, futebol brasileiro fracassa neste início de ano

Santos, São Paulo, Fluminense, Chapecoense, todos ficaram pelo caminho contra oponentes nem tão tradicionais assim

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

27 de fevereiro de 2019 | 18h55

 

Caro leitor,

O futebol brasileiro anda de doer. É canelada para tudo quanto é lado. Estão acabando com o nosso futebol. Estão quem? Técnicos e jogadores, os principais astros. E já não é mais uma percepção só de campo, acompanhando aos jogos, torcendo e rezando pelas vitórias. Estou falando de resultados práticos, objetivos, como a eliminação do Santos na terça-feira frente ao River Plate do Uruguai, não aquele da Argentina, do Uruguai. O Santos havia empatado o jogo na casa do rival sem gols e voltou a repetir a igualdade no Pacaembu: 1 a 1. Pior, sem torcida por causa de punição aplicada ao time da Vila. Dessa forma, caiu fora da Sul-Americana. Uma tragédia para um time que se propõe jogar ofensivamente e que vem fazendo isso no Campeonato Paulista - mais uma prova da falta de qualidade das partidas do Estadual, em que há poucos times médios e muitos times ruins.

O Santos era até então a equipe mais interesante de São Paulo, sobrando no Paulista, jogando para cima de seus oponentes, fazendo muitos gols. Bastou encarar um sul-americano de terceira categoria (me desculpem os uruguaios) para se complicar. Sampaoli sabe o tamanho da qualidade dos seus jogadores. Ele vinha operando milagre com o elenco, salvo um ou outro de melhor condição. Mais uma prova do nível dos concorrentes. O argentino não pode, no entanto, perder a disposição de continuar tentando, mas como ele mesmo já admitiu, vai insistir em algo diferente da mediocridade brasileira - mediocridade brasileira é por conta no autor.

O futebol brasileiro anda irreconhecível, como atestou nosso colunista Ugo Giorgetti recentemente. "O que fazer", questionou Giorgetti sobre a má qualidade dos jogos que ele acompanha no País. E não são poucos. Referia-se a dois especificamente: São Paulo e Talleres e Corinthians e Racing. Ugo destaca a facilidade de reconhecer o futebol argentino em campo, pela marcação, empenho e distribuição. E a dificuldade de enxergar o futebol brasileiro nas partidas neste começo de ano.

O São Paulo virou chacota ao fracassar na fase de pré-Libertadores diante do Talleres, num jogo em que nada deu certo. A eliminação abriu nova crise no clube, culminou com a queda do técnico Jardine e a contratação de Cuca, mas também com a ira da torcida, que promete continuar protestando pela saída de alguns jogadores. A tradição do São Paulo na competição sul-americana de nada valeu. O futebol apresentado foi fraco, sem tramas, de fácil leitura por parte do adversário. E mais uma vez era um gigante brasileiro contra um nanico da América do Sul.

Outro gigante do Brasil que não se encontrou diante de um ‘desconhecido’ do continente foi o Fluminense, mesmo com todas as boas intenções do técnico Fernando Diniz, um treinador que devemos observar sempre. O time do Rio ficou no empate diante do Antofagasta... Anto o quê? Antofagasta. Do Chile. Sim, muitos brasileiros nunca ouviram falar do rival. E aqui cabe uma ressalva. O futebol brasileiro ainda se vê nas Américas como o mais forte de todos. Não é mais. Não é com a seleção e não é com os clubes. Em outros tempos, o Fluminense atropelaria o rival de nome esquisito. Atualmente, não se tem certeza de que vai se classificar na Sul-Americana.

Da mesma forma, outro brasileiro a decepcionar foi a Chapecoense, conforme relato do jogo. Esperei um dia para atualizar a coluna. Queria ver como o Corinthians se comportava diante do Racing. E o time de Cássio, que pegou dois pênaltis, mudou um pouco esse panorama ao deixar a Argentina com a classificação suada, mas merecida na Sul-Amricana. Vitória nos pênaltis.   

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