Dida e Renato fizeram a diferença

As defesas incríveis de Dida e os dois gols de Renato foram decisivos na conquista da classificação do Corinthians no torneio Rio-São Paulo. Dida fez a diferença principalmente no primeiro tempo com três verdadeiros milagres debaixo do gol: tirou no reflexo duas bolas cabeceadas por Émerson na linha da pequena área, e ainda pegou um chute de França que parecia indefensável até então. No segundo tempo ainda consagrou a bela atuação com uma defesa histórica num chute de Reinaldo da entrada da pequena área. Se Luiz Felipe Scolari tinha alguma dúvida na escolha do terceiro goleiro da Seleção Brasileira na Copa, o jogo deste domingo em Presidente Prudente acabou com ela. Já o meia Renato, que passou a maior parte do jogo no banco, só entrou no segundo tempo, no lugar de Gil, para equilibrar o duelo no meio-de-campo. Mas acabou sendo determinante na vitória corintiana, com dois gols em menos de 10 minutos. Dida e Renato saíram de campo com as honras de herói no clássico. Renato, mais extrovertido, nem esperou o final da partida para comemorar. Já no primeiro gol foi até o banco de reservas de sua equipe e pulou imitando um ´coelhinho´ junto com os jogadores mais jovens. Dida saiu de campo feliz mas sem a mesma vibração do companheiro. E ainda disse que não gostaria de ser julgado apenas pela atuação deste domingo. "A Comissão Técnica da Seleção Brasileira é experiente e sabe do meu potencial. Tenho certeza que vai me julgar pelo meu trabalho como um todo, não apenas pelo que fiz hoje". Dida não fez a menor questão de tirar proveito do momento favorável. Desprezou a chance de capitalizar as ótimas defesas contra o São Paulo. Quando os repórteres chegaram ao vestiário, o goleiro corintiano já estava no ônibus do clube, no ar-condicionado. O que se sabe de Dida, foi o que ele disse às emissoras de rádio, ainda no gramado. "A defesa mais difícil foi a última, naquele chute forte do Reinaldo", resumiu o goleiro corintiano, sem muita paciência para falar. Renato foi mais festivo e até colocou fone no ouvido para curtir a narração de seus gols. Só não ficou mais tempo na mídia porque o Corinthians tinha pressa. A delegação saiu em vôo fretado de Presidente Prudente direto para Belo Horizonte, onde vai enfrentar o Cruzeiro na quarta-feira, pela Copa do Brasil. Renato também viajou animado. "Mesmo sem estar jogando, mostrei que estou pronto para entrar na equipe quando o treinador precisar". A boa atuação de Renato coincidiu com uma contusão no tornozelo direito de Ricardinho. O meia titular teve até de ser substituído o final do clássico depois de uma entrada violenta do zagueiro Émerson. "Vocês viram como ele entrou de carrinho, por trás. Poderia ter quebrado o meu tornozelo se pegasse de jeito. Por sorte na hora ainda tive tempo de tirar o pé de apoio. Foi o que me salvou". Desculpas - Ricardinho já estava entrando no ônibus do Corinthians quando soube, por meio de um repórter, que Émerson havia se desculpado. Aí, decidiu esquecer a questão. "Então, tudo bem. Já esqueci o assunto". Em seguida, ainda fez questão de dizer que deve enfrentar o Cruzeiro. "A pancada foi forte mas acabou pegando de raspão. Acho que vai dar para enfrentar o Cruzeiro". Apesar da preocupação por Ricardinho, era visível o clima de festa no vestiário corintiano. Com 27 pontos ganhos, o time já está entre os quatro semifinalistas do torneio Rio-São Paulo. Mas o time comemorava muito mais do que isso. "O jogo não valia só a nossa clasificação matemática no Rio-São Paulo. Significava também a nossa classificação para a Copa dos Campeões e para o Paulistão (o supercampeonato paulista), argumentava o técnico Carlos Alberto Parreira". Além disso, o técnico corintiano também destacou a importância moral dessa vitória para um time que enfrentará uma outra decisão na quarta-feira, diante do Cruzeiro. "É óbvio que o resultado de hoje nos dá mais tranqüilidade para enfrentar o Cruzeiro. Mas nossa missão em Belo Horizonte não será fácil". Contas - Como o time empatou por 2 a 2 no primeiro jogo, no Morumbi, agora precisa vencer na Quarta-feira para ficar com a vaga na Copa do Brasil. Ou, então, empatar por uma contagem a partir dos 3 a 3. Empate por 0 a 0 ou 1 a 1 beneficia os mineiros. Se houver empate por 2 a 2, a classificação será decidida nos pênaltis. Parreira aposta numa vitória no Mineirão. Por isso mesmo levou a sua equipe de Presidente Prudente para Belo Horizonte. O técnico quer seu time descansado na quarta-feira.

Agencia Estado,

31 Março 2002 | 20h32

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