Dida e Rogério dão brilho à decisão

Depois de tantos confrontos entre Corinthians e São Paulo, ora pela Copa do Brasil, ora pelo Torneio Rio-São Paulo, ficou difícil para os jogadores encontrarem algum diferencial no jogo de domingo, às 16 horas, no Morumbi, a não ser o fato de ser a decisão do título interestadual. No entanto, para os goleiros Rogério Ceni, do São Paulo, e Dida, do Corinthians, a partida representa algo mais.Ambos estão convocados para defender a seleção brasileira na Copa do Mundo da Coréia do Sul e do Japão. No entanto, esperam que, ao se encontrarem no aeroporto para a viagem à Espanha, logo após a decisão, primeira escala até a estréia no Mundial, um tenha mais motivos para comemorar do que o outro. Se não sofrer gols, Dida leva a melhor. Já Rogério aposta numa habilidade extra para ajudar sua equipe a ficar com o título: as cobranças de falta.Apesar da felicidade por estarem no grupo que vai tentar o pentacampeonato, os dois sabem que, ao lado de Marcos, vão travar um duelo pela vaga na equipe titular. "Não acho que essa final possa interferir na escolha do Felipão. A análise não é feita em apenas uma partida", disse Rogério.Retrospecto - Dida tem fama de pé quente no Parque São Jorge. Nas duas decisões que disputou pelo Corinthians - o Campeonato Brasileiro de 1999 e o Mundial de Clubes da Fifa, em 2000 -, foi campeão. E contra o São Paulo, esta fama é ainda maior: já defendeu três pênaltis do adversário em semifinais, eliminando o rival. Dois de Raí, no Nacional de 99, e um de França, na Copa do Brasil deste ano. "Encaro isso como uma fatalidade", disse. "Mas procuro tirar proveito."Outra marca que Dida carrega em seu currículo, relacionada ao São Paulo, é o fato de ser um dos poucos que ainda não sofreu gol de Rogério Ceni. "Ele é um grande batedor de falta, se acontecer não é demérito para ninguém. É a mesma coisa que sofrer o gol de atleta de linha."Rogério, por sua vez, garantiu que não se preocupa em marcar gols. "Minha missão dentro do campo é outra", afirmou. Mas com tantos gols marcados, não dá vontade de quebrar o tabu com Dida? "Não tenho essa vaidade. Até hoje marquei apenas um gol contra o Corinthians. E foi de pênalti", lembrou.Apesar de ser caladão e demonstrar bastante tranqüilidade em campo, fora dele há fatos que deixam Dida irritado. E a possível despedida após à final da Copa do Brasil, quarta-feira, é uma delas. O atleta tem vínculo com o Milan, da Itália. "Minha cabeça está voltada para o São Paulo, não podemos antecipar etapas. Tenho contrato até dia 30 de junho, mas se precisar voltar para a Itália, isso não me incomoda e nunca incomodará", afirma, com ar de sufocado.A paz de espírito vem nas brincadeiras de criança. Como passatempo, Dida aderiu à moda dos carrinhos de controle remoto. Mas não se liga muito em carros. "Me levando para casa, está ótimo."

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