Diego Alves, ao estilo mineiro, espera disputar a Olimpíada

Goleiro do Almería espera que recorde de tempo sem sofrer gols o leve à seleção de Dunga, mas sem pressão

Milton Pazzi Jr., estadao.com.br

18 de fevereiro de 2008 | 21h13

À mineira é um estilo bastante popular: significa ir bem tranqüilo, sem afobação e com muito respeito. É desta forma que o goleiro Diego Alves, ex-Atlético Mineiro e atualmente no Almería, da Espanha, atingiu neste fim de semana a marca recorde de 618 minutos sem sofrer gols na temporada. Agora, ele espera, da mesma maneira, chegar ao sonho maior: disputar a Olimpíada de Pequim, pelo Brasil."Seleção é momento no clube. Estou num momento bom aqui, mantendo uma regularidade, fico à disposição do Dunga, se for convocado ou não vou fazer meu trabalho. Mas tenho a esperança de jogar a Olimpíada", diz Alves, em entrevista por telefone ao estadao.com.br, num discurso de respeito, com a cautela para não criar problemas com o técnico do time olímpico. Um estilo adquirido nos tempos em Minas Gerais, onde inclusive formou sua família.Para conseguir essa chance, o goleiro reforça a marca que superou de Casillas, do Real Madrid, que tinha ficado 575 minutos invicto na temporada. "Foi bom demais esse recorde. Primeiro, por ser o primeiro goleiro brasileiro na Espanha, abre mais portas. Eu sei como eram tratados antes os goleiros brasileiros, eles nem imaginavam que existiam, hoje tem uma idéia como é. É bacana, não só por mim, pelos outros que podem vir no futuro".Diego Alves diz estar adaptado ao futebol espanhol - tem contrato lá até agosto de 2012. Mora com sua esposa, Lara, que é Belo Horizonte (MG), e tem a companhia do irmão Daniel, que, assim como o resto de sua família, é de Ribeirão Preto (SP). Foi nos três anos no Atlético, porém, que ele se desenvolveu. E incorporou o estilo de ser. A tranqüilidade não pode ser confundida com passividade. Alves faz questão de salientar que tem metas. Mas com cautela."Tenho objetivos. Para ser um vencedor, você tem de traçar objetivos. Minhas metas são participar de uma seleção olímpica, por eu ter idade, e permanecer com o Almería na primeira divisão. Todos falam em Copa da Uefa, mas ainda pensamos é em ficar na primeira divisão, ainda não temos os pontos necessários", lembra, com modéstia, o goleiro.CALMA NO COMEÇOA pressa também poderia ter atrapalhado o goleiro. Ele queria jogar de cara, ao chegar no clube. "Aqui na Espanha é totalmente diferente do Brasil. Quando vim, pensava 'Ah, esse negócio de adaptação para mim não tem nada a ver, é só chegar e jogar' e na verdade, não é bem assim. Quando contratam, eles te dão tempo para você se adaptar, para mim foram três meses, alguns tem até um ano, como o próprio Robinho. Um dos motivos para essa adaptação é o estilo de jogo. Diego Alves conta que aprendeu a jogar mais como líbero. "Para mim, o jogo com os pés é algo novo, recuam muitas bolas para os goleiros aqui, joga-se adiantado, como se fosse um líbero. Tem ainda que toda vez molham o campo, então a bola é rápida, diferente. O jogo é rápido e intenso".Apoio, por ter de esperar a chance, ele diz ter encontrado do técnico Unaí Emery. "No começo era difícil, hoje entendo mais o que ele fala. É um treinador que quer saber como você está, parou de jogar há pouco tempo. Sempre que precisei me ajudou, ele perguntava sobre a família, perguntava sobre essa parte extra-campo. Foi bacana. Pensei que chegaria e jogaria, conversava muito com ele quando estava chateado porque queria jogar, nos damos superbem". Nem com o goleiro reserva, Cobeño, ele garante ter problemas. PARECE, MAS NÃO ÉO fato de o espanhol e o português serem línguas parecidas ajuda, mas também já atrapalhou o goleiro. Ele conta que a dificuldade maior foi lembrar de tudo, no começo. "Já consigo entender muito bem todo mundo. De eu falar uma coisa e a defesa entender outra não teve problema, mas à vezes eu esqueço e falo português. Agora não mais. Tem palavras parecidas, só muda a pronúncia no final, mas agora já estou acostumado.Os exemplos: "Aí no Brasil, quando o goleiro rival bate tiro de meta, você fala sobe, aqui é arriba, tem de falar salta, fora também é uma outra coisa, que significa para a defesa avançar um pouco mais. São palavrinhas importantes".PELAS BEIRADASQuase esquecido dos torcedores, o jovem goleiro de 22 anos sabia que estava arriscando sua carreira ao trocar a titularidade de um time da primeira divisão brasileira por um que luta para não cair no futebol espanhol. "Tenho intenção de jogar em um time grande, mas hoje estou em clube bom, com um projeto fantástico, mas quero sim jogar num time do G-14 [no sentido de ser em algum dos grandes da Europa, já que o grupo não existe mais]. Isso vai depender do meu trabalho, quietinho aqui, se tiver oportunidade, ótimo."

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