Diego feliz pela solução do seqüestro

O telefone celular de última geração de Diego tocou por volta das 10h30 da manhã, horário de Portugal. O meia, ainda sonolento porque havia acordado minutos antes, reconheceu a voz de William assim que atendeu. O ex-companheiro de Santos, com quem mantém contato freqüente, sem rodeios deu-lhe a notícia de que a mãe de Robinho enfim havia sido liberada. Emoção e alívio encheram o quarto do luxuoso hotel em que o Porto estava hospedado para a partida desta sexta-feira à noite com o Moreirense, pela 15.ª rodada do Campeonato Português. "Graças a Deus, tudo terminou bem", festejou Diego, ao cutucar o ex-são-paulino Luís Fabiano, seu parceiro de concentração. "Acabou o sofrimento e voltará a alegria para ele e família."Em seguida, pretendia ligar para sua mãe, Cecília, que foi fazer-lhe companhia no apartamento no bairro de Matosinhos. Como ela é amiga de dona Marina, também queria transmitir-lhe logo a novidade. "Ela também estava muito preocupada com a situação."A ligação de William foi uma das alegrias de Diego nos últimos dias. No domingo, havia se emocionado com a vitória de sua equipe no tira-teima com o Once Caldas, em Yokohama, na última edição do Mundial Interclubes - pelo menos no formato criado em 1960. "Foi um momento marcante", disse o garoto, de 20 anos e já com um título tradicional no currículo. "Esse duelo era um dos objetivos na temporada e o alcançamos", ponderou. "A torcida também deu importância, tanto que fez enorme festa na volta."A euforia superou até a pisada de bola após sua cobrança de pênalti. Diego ficou tão empolgado com o gol que não resistiu a provocou o goleiro colombiano Henal. Soltou um sonoro palavrão, na cara do rival, e recebeu cartão vermelho - fato raro nesse tipo de disputa. "Foi um desabafo", justifica. "Ele catimbou durante o jogo e na hora nem sei direito o que falei", desculpa-se. "Mas passou, foi coisa daquela hora. Depois, ficou tudo bem entre nós."O excesso vai custar-lhe suspensão de um jogo - provavelmente o clássico com a Internazionale, em casa, no fim de fevereiro, pelas oitavas-de-final da Liga dos Campeões. A esperança é a de que o clube consiga transformá-la em multa ou transferi-la para a temporada de 2005-06.Adaptação - Diego começou a aventura européia no meio do ano, depois que o Santos não resistiu mais às investidas do Porto. Embora estivesse acostumado a se virar sozinho ? ainda garoto saiu de Ribeirão Preto para morar em alojamentos do Santos ?, sentiu a mudança de costumes, de clima, de ambiente, de costumes. Para não cair na armadilha da saudade, levou a tiracolo um amigo de infância, que atua como faz-tudo, além da cozinheira Janaína, seu anjo-da-guarda.Além deles, os pais e a irmã se revezam em viagens rotineiras para Portugal para ficar a seu lado. ?A vida aqui é boa?, reconhece. ?As pessoas me tratam bem, o clube cumpre com tudo que combinou e o ambiente entre os jogadores é ótimo?, avisa. ?Por isso, a adaptação é mais rápida.?Diego apreendeu logo que Porto é mais provinciana do que Santos. Cidade média, as pessoas controlam os passos dos famosos. ?A privacidade é menor, há controle e dão valor à disciplina?, enumera. ?Basta fazer as coisas direito que não haverá problema.?A segunda cidade mais importante de Portugal será sua casa por alguns anos. Mas não por toda a carreira. Diego deixa escapar que pretende alçar vôos mais ousados no futuro. ?Posso ir para outro clube, tenho projetos, sem nenhuma pressa?, adverte. ?Estou num grande time e espero curti-lo por bastante tempo.?Diego curte também o Santos, mesmo à distância. Como a primeira paixão jamais se esquece, espera domingo comemorar o título, que considera também seu. Será com churrasco, para amigos brasileiros e parentes. ?Minha torcida não faltará?.

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