Diego não é o único problema de Estevam

Diego Souza não é o único problema que Estevam Soares está tendo que administrar. O Palmeiras virou um barril de pólvora, prestes a explodir. E a situação do próprio treinador é uma incógnita. Vaiado pela torcida e contestado pelos conselheiros, Estevam corre risco no cargo e esta semana é decisiva para ele: quinta-feira enfrenta o Mogi Mirim, quarto colocado, e domingo faz o clássico com o São Paulo, no Morumbi. Qualquer tropeço pode ser fatal. "No futebol é assim. Quando o time não ganha, a culpa é do técnico", diz Estevam. "Mas estou tranqüilo". Geninho, Péricles Chamusca e Muricy Ramalho são os preferidos dos conselheiros para o cargo de Estevam. Ao contrário do que aconteceu no ano passado, quando possuía apenas um acordo verbal com a diretoria, Estevam agora está resguardado por um contrato assinado e com multa rescisória. Se for demitido, ganha uma boa bolada (o valor é mantido em sigilo). O contrato expira em 31 de dezembro. Outro problema que o técnico tem de administrar é o nervosismo de seus próprios jogadores. Nesta segunda-feira, num treino dos reservas contra o time de juniores, o volante Marcinho deu uma entrada "criminosa" num juvenil. Quase quebrou a perna do garoto. E ainda saiu xingando os repórteres, que acompanharam de perto o lance. "Vocês não têm que falar nada, não. O trabalho é daqui pra dentro, vocês ficam aí fora. Cambada de corneteiros", disparou Marcinho, gesticulando bastante e encarando os jornalistas. "Não liguem para ele. Está de cabeça quente", disse o também volante Claudecir, em seguida, tentando amenizar a situação. Estevam, que viu o carrinho de Marcinho, repreendeu o jogador com uma bronca. "Ninguém pode entrar dar uma entrada daquelas num garoto". O treinador admitiu que a jogada e a reação do volante são reflexos do clima de tensão que tomou conta do Palmeiras. "Esse nervosismo só vai passar quando retomarmos o caminho das vitórias", disse Estevam, lembrando que o Palmeiras não vence há três jogos no Campeonato Paulista (duas derrotas e um empate). O técnico também não sabe o que fazer com Sérgio. O experiente goleiro tem demonstrado muito descontentamento com sua atual situação. A amigos próximos, ele, que tem 14 anos de Palmeiras, confessou não se conformar em "ganhar menos do que dois jogadores que estão machucados há tempos" (Muñoz e Pedrinho). Por isso, pediu uma reunião com a diretoria para tentar um aumento salarial. Sérgio está em boa fase e até admite ficar na reserva de Marcos. Mas espera ganhar uma compensação financeira para isso. Se não ganhar um aumento, o goleiro, que tem contrato até dezembro, admite que pode deixar o clube. Com Marcos ainda se recuperando de contusão, Sérgio deve ser mantido no time titular que enfrenta o Mogi Mirim, quinta-feira, às 20h30, no Parque Antártica. Marcinho e Corrêa, que cumpriram suspensão, podem voltar ao time. O primeiro deve substituir Alceu, que foi muito mal contra o União São João. Já o segundo deve ficar no banco de reservas, já que Estevam disse estar propenso a manter o esquema com dois volantes (Marcinho e Magrão) e dois meias (Cristian e Marcel).

Agencia Estado,

14 de fevereiro de 2005 | 16h05

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