Diego vai a pé ao treino do Palmeiras

O novo lateral-esquerdo do Palmeiras ganha R$ 300 por mês, não tem carro e passa a maior parte das horas de folga assistindo a desenhos animados na televisão. Mas a vida de Diego, de 18 anos, pode mudar antes do que ele próprio imagina. Talvez o jogador nem saiba, mas o empresário Reinaldo Pitta, que cuida entre outros dos interesses de Ronaldo Nazário, ligou semana passada para Paulo Campos, treinador do Palmeiras-B, em busca de informações sobre a sua carreira. Em Teresina, onde disputa a Copa dos Campeões, Diego demonstra gratidão ao Palmeiras. E garante que pretende cumprir o contrato de cinco anos que assinou. "Não estou pensando em dinheiro. Até outro dia jogava no Palmeiras-B, hoje estou aqui dando entrevistas para a imprensa do Brasil inteiro". A Agência Estado acompanhou um dia da rotina do jogador antes da viagem ao Piauí. Diego mora em um apartamento alugado nas proximidades da avenida Sumaré. Almoça e janta no refeitório mantido pelo clube e jura que ainda consegue guardar boa parte de seu salário. "Compro apenas alguns CDs de vez em quando." Como não tem carro, cumpre o trajeto de quase dois quilômetros entre sua casa e a Academia de Futebol a pé. Muitas vezes, repete a dose para voltar, já que não é todo dia que consegue uma carona. Mesmo assim, ressalta que jamais chegou cansado aos treinamentos, nem nos dias em que é obrigado a caminhar sob um calor de mais de 30 graus. "Já estou acostumado com isso. Mas passei por alguns momentos difíceis atravessando o viaduto Antártica, principalmente à noite. Uma vez notei que dois homens encapuzados se aproximavam de mim e não tive dúvidas em atravessar a rua correndo." Diego chegou por acaso ao Parque Antártica em 1998, levado por dois amigos com quem jogava no Clube Altético Ipiranga. "Disputamos um amistoso contra o Palmeiras e o Niltinho (treinador da equipe infantil na época) gostou do André e do Pedro. No dia em que eles vieram à Academia fazer o teste eu vim junto, e acabei treinando normalmente com quem não quer nada. Nunca mais saí daqui". Mas a chance já havia batido na sua porta. Um ano antes, foi selecionado nas peneiras do Corinthians e permaneceu um ano no Parque São Jorge. Na época, era meia-esquerda, mas o medo de abandonar os estudos prevaleceu. "Eu morava na Penha e não tinha problemas para chegar ao Corinthians. Mas, por causa dos treinos, acabei perdendo muitas aulas e repeti duas vezes de ano. Tenho que confessar que naquela época eu não levava o futebol a sério." Em Teresina, Diego ainda não se acostumou com a notoriedade. Nas entrevistas, é comum vê-lo com as mãos trêmulas. Se não está tendo tempo para empinar pipas, outra de suas paixões, ao menos passou no teste de fogo imposto pelo treinador Vanderlei Luxemburgo. "No meu primeiro coletivo entre os profissionais ele me chamou de lado e pediu para não amarelar." Evangélico, Diego frequenta a Igreja Universal do Reino de Deus. E credita à religião boa parte de seu sucesso. "A Igreja me trouxe amadurecimento. Nas correntes da Universal nunca dei dinheiro por dar, faço apenas o que o meu coração manda."

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