Hélvio Romero/Estadão
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Diferença de técnicos

Semifinal entre alvinegros acena com possibilidades de que tenhamos um jogo melhor

Mauro Cezar Pereira, O Estado de S.Paulo

01 de abril de 2019 | 04h30

Não foi o Santos com a intensidade de outras partidas. Teve muita posse de bola (61%) acertou muito mais passes (412 a 210), mas finalizou apenas uma vez na direção certa, contra cinco do Corinthians, que venceu por 2 a 1. O clássico de Itaquera desta vez teve gols, mas tecnicamente o 0 a 0 disputado três semanas antes foi mais bem jogado, um confronto mais técnico.

Manoel abriu o placar em desvio de cabeça nos primeiros movimentos. Depois disso, os outros dois gols da peleja se originaram em falhas graves. Primeiro Cássio, em constrangedora saída de gol, que Derlis González aproveitou para fazer 1 a 1. Depois o zagueiro Luiz Felipe inexplicavelmente cabeceou para cima, deu a bola para Clayson, que decidiu o duelo.

Com a vantagem, o Corinthians poderá empatar no cotejo de volta, segunda-feira que vem, no Pacaembu. Caberá ao Santos vencer por mais de um gol de diferença ou por um para decidir a classificação nos pênaltis. Se Jorge Sampaoli foi mais estratégico e até pragmático em alguns momentos contra o Red Bull, na fase anterior, desta vez não poderá.

Tal cenário poderá oferecer ao time de Fábio Carille a oportunidade de jogar como gosta, bem organizado na defesa e saindo com boas tramas ofensivas, especialmente ante um rival que vai subir a marcação ao máximo desde o primeiro minuto. O risco para os corintianos é o de se encolher e tomar os gols, principalmente na pressão que deverá sofrer no início da partida.

Fato é que pela postura e estilos dos dois treinadores, a semifinal do Campeonato Paulista entre os alvinegros acena com possibilidades maiores de que tenhamos um jogo melhor na rodada decisiva. Não é possível esperar tanto de palmeirenses e são-paulinos. E a diferença não é de elencos, técnica, mas de técnicos.

Sábado não chegou a ser um grande clássico, mas com a farsa protagonizada São Paulo e Palmeiras 14 dias antes, no Pacaembu, o 0 a 0 no Morumbi parecia bom jogo. Até que não foi dos piores no primeiro tempo, com alguns bons lances e certa emoção.

Na segunda etapa, as duas equipes abraçaram empolgada e apaixonadamente o pragmatismo, evitaram o confronto e pensaram em não perder, planejando a partida de volta. Um adiamento de responsabilidades, afinal, cedo ou tarde um dos dois será eliminado do Estadual.

Naturalmente o outro avançará à final do Campeonato Paulista, quando, se o Santos for o adversário, pode-se apostar que o classificado do duelo entre tricolores e alviverdes tentarão se livrar da bola. Os dois são times especializados nisso.

Já os árbitros tentam se especializar no uso correto do vídeo para eliminar dúvidas, evitar erros. A polêmica criada após o uso do recurso para que Vinícius Furlan reavaliasse sua decisão, cancelando a marcação do pênalti em Dudu beirou o patético.

Em jogo no qual as duas equipes não foram além de um par de arremates na direção da meta e o placar não se movimentou, um pênalti seria provavelmente decisivo. E o apitador se arrependeria da marcação, caso mantivesse a sua decisão inicial sem olhar o monitor.

Ora, se não é para isso que serve o badalado VAR (sigla em inglês para Video Assistant Referee, o já famoso árbitro assistente de vídeo), qual a finalidade? Importante: regras e recomendações não proíbem a utilização da maneira que aconteceu no sábado.

Passou da hora de os profissionais do futebol procurarem compreender a forma como a ferramenta pode ajudar. Enquanto cada um continuar puxando a brasa para sua sardinha, a chapa seguirá mais quente do que deveria e a bola será ofuscada por polêmicas ocas.

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