Dificuldade em conseguir ingressos faz torcedores do Real acompanharem final com o Liverpool em casa

Espanhóis e ingleses se enfrentam neste sábado, no Stade de France, em Saint-Denis, na decisão da Liga dos Campeões

Luciana Rosa / Madri - especial para o Estadão

A final da Liga dos Campeões acontece neste sábado. Em função da invasão da Rússia à Ucrânia, a sede teve de ser alterada. Antes seria no Estádio Krestovski, em São Petersburgo. A Uefa decidiu pelo Stade de France, em Saint-Denis. Quando tomou a decisão, o Paris Saint-Germain, de Neymar, Mbappé e Messi, ainda estava na competição e sonhava fazer a final em casa. Mas o sonho não se tornou realidade. Real Madrid e Liverpool vão brigar pelo título. As duas equipes receberam 20 mil ingressos cada, e outros 12 mil foram oferecidos através do site da própria Uefa.

Além disso, 10 mil ingressos foram distribuídos gratuitamente para torcedores a fim de recompensar seu apoio nos jogos durante a pandemia. O preço dos ingressos variou entre 70 euros e 690 euros, o equivalente a R$ 360 e R$ 3.500. Dependendo da categoria, as vendas se encerram no dia 28 de abril e somente 52 mil dos 75 mil lugares do Estádio Saint Denis foram disponibilizados.

Miguel Morales, torcedor do Real Madrid desde pequeno, conta que a paixão pelo clube foi herdada da mãe Elisa García Foto: Luciana Rosa

Por causa da escassez de entradas e dos preços das passagens aéreas que sofreram um incremento no valor também em função do conflito entre Rússia e Ucrânia, muitos espanhóis decidiram assistir à final em casa. 

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É domingo em Madri, a capital espanhola. Miguel Morales, torcedor dos merengues desde pequeno, conta que a paixão pelo clube foi herdada da mãe Elisa García, morta em consequência de Esclerose Lateral Amiotrófica há exatas duas semanas.

Elisa aprendeu com o pai a amar o branco e azul da camiseta do clube da realeza, o Real Madrid. Miguel relembra que em seus últimos anos de vida, o único assunto que fazia a mãe vibrar de alegria era ver em campo seu time do coração, em especial lhe fascinava ver Benzema jogar. 

O jovem torcedor de 37 anos lamenta que a mãe já não esteja mais entre eles para desfrutar do tão sonhado título da Liga dos Campeões que Miguel espera que o time conquiste no próximo sábado no Stade de France. Ainda assim, já está tudo combinado, e, em forma de homenagem, seu pai e ele se reunirão para torcer pelo Real Madrid nos 90 minutos que este terá para superar o Liverpool. 

Enquanto conta suas memórias, Miguel conduz a reportagem do Estadão a um lugar muito tradicional em Madri para aqueles que estão dando seus primeiros passos no "caminho de ida" do amor pelo futebol: A feira de El Rastro. Ali, todos os domingos, pais acompanham seus filhos a trocar figurinhas para completar seus álbuns de futebol. 

O nome da feira tem uma origem bastante peculiar, nas ruas que hoje reúnem vendedores de todo os tipos de produtos de artesanato e antiquário. Antigamente, estavam ali as fábricas de couro, próximas aos matadouros. Conta-se que durante o trajeto dos animais até as fábricas era deixado um rastro de sangue que batizou o local. 

A metros dali, na Plaza del Campillo del Nuevo Mundo, logo atrás da Puerta de Toledo, é possível encontrar colecionadores de todo tipo, trocando, comprando e vendendo figurinhas, que os espanhóis chamam de cromos. E é lá que a reportagem encontra Álvaro, que, junto a seu irmão Diego, veste a camiseta que Cristiano Ronaldo costumava usar quando defendia as cores do clube de Madri. O número 7 estampado é exatamente a idade dos garotos. Os dois meninos foram levados pelo pai, Manoel Sampes, ao local para trocar cromos. Eles não duvidam um segundo em responder que o Madrid será campeão. 

Questionados se irão a Paris para a final, Manoel responde que não, "é muito difícil ir ao jogo, não tem entradas e é muito caro", avalia. "É possível ver por RTVE", adverte do outro lado o pequeno Álvaro. Ele arrisca que será uma vitória por mais de dois gols, diz que não sabe quem fará o outro, mas que um deles, com certeza, será de Benzema. Manoel, torcedor mais experiente, acredita que o jogo vai ser muito disputado. "Eu acho que vão empatar e chegar aos pênaltis e vai ganhar o Madrid porque Courtois é o melhor goleiro do mundo", sentencia. 

De outra família que chegou cedinho ao local para tentar encontrar os nomes faltantes em sua coleção, está José, de 14 anos. Vestido com a versão azul da camiseta do Real Madrid, ele diz que vai dar Madrid "de 3 a 1, com dois de Benzema e um de Vinicius Jr", diz. 

Parece que a dupla vem mesmo alinhada. Nesta semana, o atacante Karim Benzema disse que o brasileiro Vinicius Junior deveria estar entre os melhores jogadores do mundo por tudo que fez na temporada com o Real Madrid. "Vinicius não me pede conselhos, eu peço que ele fique bem concentrado. Ele é jovem, mas não em campo. Já tem mais de 100 partidas. Falam dos melhores do mundo e não incluem o Vinicius, que faz gols e dá assistências", declarou o francês no media day dos jogadores do Real Madrid.

Outro que caiu nas graças da torcida é o italiano Carlo Ancelotti, que já havia passado pela equipe espanhola e agora voltou com vontade de levar o Madrid ao topo do futebol espanhol e mundial. José me diz que sim, "é um bom técnico", opinando sobre o responsável pelo mais recente título espanhol conquistado pelo time. "Para mim, que ganhem de 1 a 0. Já me serve", diz o pai do garoto, que confirma que esta partida vai ser um espetáculo para ser vista em família. 

No fim do passeio pelo Rastro, uma loja com as tradicionais faixas bordadas com o escudo das equipes de futebol europeias e frases variadas chama a atenção. O jovem separa uma delas, em cor fúcsia, que diz: "Obrigada, mamãe, por me fazer linda, inteligente e… madridista", sua intenção era me apresentar à torcida feminina do Madrid, mas seu subconsciente, provavelmente, tinha a intenção de reforçar que o amor pela equipe é algo que passa de mãe para filha.

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Dificuldade em conseguir ingressos faz torcedores do Real acompanharem final com o Liverpool em casa

Espanhóis e ingleses se enfrentam neste sábado, no Stade de France, em Saint-Denis, na decisão da Liga dos Campeões

Luciana Rosa / Madri - especial para o Estadão

A final da Liga dos Campeões acontece neste sábado. Em função da invasão da Rússia à Ucrânia, a sede teve de ser alterada. Antes seria no Estádio Krestovski, em São Petersburgo. A Uefa decidiu pelo Stade de France, em Saint-Denis. Quando tomou a decisão, o Paris Saint-Germain, de Neymar, Mbappé e Messi, ainda estava na competição e sonhava fazer a final em casa. Mas o sonho não se tornou realidade. Real Madrid e Liverpool vão brigar pelo título. As duas equipes receberam 20 mil ingressos cada, e outros 12 mil foram oferecidos através do site da própria Uefa.

Além disso, 10 mil ingressos foram distribuídos gratuitamente para torcedores a fim de recompensar seu apoio nos jogos durante a pandemia. O preço dos ingressos variou entre 70 euros e 690 euros, o equivalente a R$ 360 e R$ 3.500. Dependendo da categoria, as vendas se encerram no dia 28 de abril e somente 52 mil dos 75 mil lugares do Estádio Saint Denis foram disponibilizados.

Miguel Morales, torcedor do Real Madrid desde pequeno, conta que a paixão pelo clube foi herdada da mãe Elisa García Foto: Luciana Rosa

Por causa da escassez de entradas e dos preços das passagens aéreas que sofreram um incremento no valor também em função do conflito entre Rússia e Ucrânia, muitos espanhóis decidiram assistir à final em casa. 

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É domingo em Madri, a capital espanhola. Miguel Morales, torcedor dos merengues desde pequeno, conta que a paixão pelo clube foi herdada da mãe Elisa García, morta em consequência de Esclerose Lateral Amiotrófica há exatas duas semanas.

Elisa aprendeu com o pai a amar o branco e azul da camiseta do clube da realeza, o Real Madrid. Miguel relembra que em seus últimos anos de vida, o único assunto que fazia a mãe vibrar de alegria era ver em campo seu time do coração, em especial lhe fascinava ver Benzema jogar. 

O jovem torcedor de 37 anos lamenta que a mãe já não esteja mais entre eles para desfrutar do tão sonhado título da Liga dos Campeões que Miguel espera que o time conquiste no próximo sábado no Stade de France. Ainda assim, já está tudo combinado, e, em forma de homenagem, seu pai e ele se reunirão para torcer pelo Real Madrid nos 90 minutos que este terá para superar o Liverpool. 

Enquanto conta suas memórias, Miguel conduz a reportagem do Estadão a um lugar muito tradicional em Madri para aqueles que estão dando seus primeiros passos no "caminho de ida" do amor pelo futebol: A feira de El Rastro. Ali, todos os domingos, pais acompanham seus filhos a trocar figurinhas para completar seus álbuns de futebol. 

O nome da feira tem uma origem bastante peculiar, nas ruas que hoje reúnem vendedores de todo os tipos de produtos de artesanato e antiquário. Antigamente, estavam ali as fábricas de couro, próximas aos matadouros. Conta-se que durante o trajeto dos animais até as fábricas era deixado um rastro de sangue que batizou o local. 

A metros dali, na Plaza del Campillo del Nuevo Mundo, logo atrás da Puerta de Toledo, é possível encontrar colecionadores de todo tipo, trocando, comprando e vendendo figurinhas, que os espanhóis chamam de cromos. E é lá que a reportagem encontra Álvaro, que, junto a seu irmão Diego, veste a camiseta que Cristiano Ronaldo costumava usar quando defendia as cores do clube de Madri. O número 7 estampado é exatamente a idade dos garotos. Os dois meninos foram levados pelo pai, Manoel Sampes, ao local para trocar cromos. Eles não duvidam um segundo em responder que o Madrid será campeão. 

Questionados se irão a Paris para a final, Manoel responde que não, "é muito difícil ir ao jogo, não tem entradas e é muito caro", avalia. "É possível ver por RTVE", adverte do outro lado o pequeno Álvaro. Ele arrisca que será uma vitória por mais de dois gols, diz que não sabe quem fará o outro, mas que um deles, com certeza, será de Benzema. Manoel, torcedor mais experiente, acredita que o jogo vai ser muito disputado. "Eu acho que vão empatar e chegar aos pênaltis e vai ganhar o Madrid porque Courtois é o melhor goleiro do mundo", sentencia. 

De outra família que chegou cedinho ao local para tentar encontrar os nomes faltantes em sua coleção, está José, de 14 anos. Vestido com a versão azul da camiseta do Real Madrid, ele diz que vai dar Madrid "de 3 a 1, com dois de Benzema e um de Vinicius Jr", diz. 

Parece que a dupla vem mesmo alinhada. Nesta semana, o atacante Karim Benzema disse que o brasileiro Vinicius Junior deveria estar entre os melhores jogadores do mundo por tudo que fez na temporada com o Real Madrid. "Vinicius não me pede conselhos, eu peço que ele fique bem concentrado. Ele é jovem, mas não em campo. Já tem mais de 100 partidas. Falam dos melhores do mundo e não incluem o Vinicius, que faz gols e dá assistências", declarou o francês no media day dos jogadores do Real Madrid.

Outro que caiu nas graças da torcida é o italiano Carlo Ancelotti, que já havia passado pela equipe espanhola e agora voltou com vontade de levar o Madrid ao topo do futebol espanhol e mundial. José me diz que sim, "é um bom técnico", opinando sobre o responsável pelo mais recente título espanhol conquistado pelo time. "Para mim, que ganhem de 1 a 0. Já me serve", diz o pai do garoto, que confirma que esta partida vai ser um espetáculo para ser vista em família. 

No fim do passeio pelo Rastro, uma loja com as tradicionais faixas bordadas com o escudo das equipes de futebol europeias e frases variadas chama a atenção. O jovem separa uma delas, em cor fúcsia, que diz: "Obrigada, mamãe, por me fazer linda, inteligente e… madridista", sua intenção era me apresentar à torcida feminina do Madrid, mas seu subconsciente, provavelmente, tinha a intenção de reforçar que o amor pela equipe é algo que passa de mãe para filha.

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