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Dignidade

Chapecoense mostra altivez ao rejeitar proposta de três anos de imunidade na Série A

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

07 de dezembro de 2016 | 06h00

A tragédia de Medellín desencadeou diversos gestos de desprendimento e solidariedade humanas, além de elegância esportiva. A começar pelo Atlético Nacional, que na primeira hora após o desastre, propôs o título da Copa Sul-Americana à Chapecoense. 

A direção do clube colombiano foi tão irredutível na atitude de fair-play que a Conmebol não encontrou saída a não ser o de aceitar o pedido; assim, por tabela, fez bonito gol. A população do país vizinho mostrou sensibilidade comovente e deu um amoroso tapa na cara do egoísmo.

A postura digna estendeu-se para a direção da equipe catarinense. O pessoal que assumiu o comando, após a morte de cartolas locais, iniciou anteontem o processo de reconstrução do elenco. E o fez com o pé direito. O presidente em exercício Ivan Tozzo ofereceu lição de grandeza aos colegas ao afirmar que não pretende valer-se de imunidade de três anos na Série A. Teve coragem de dizer que a equipe lutará sempre em campo para manter-se. E, se cair, voltará na bola. Parabéns.

Num momento de comoção internacional, no qual não faltam propostas generosas e simpáticas, o principal afetado pelo Destino esbanja autocontrole admirável. A Chapecoense aceitará ajuda – e não poderia ser diferente –, mas dentro de limites da sensatez.

Com tal declaração, passa recibo de caráter e evita, adiante, tentativas de recurso ao tapetão. Pois quem garante que em 2017, se a Chape ficar entre os quatro últimos, o 16.º colocado não reclamará por ver-se obrigado a ir para a Segunda Divisão? Não será surpresa, se reclamar e se apelar para a Justiça.

A Chapecoense também não parece desesperada para receber jogadores de outros times. Louvável a intenção de buscar talentos nas divisões de base. Eis maneira prática, e carregada de simbolismo, de renascer com as próprias forças. Se bem que, com critério e discernimento, seja interessante contar com alguns atletas experientes para apoiar o desenvolvimento dos mais novos. Desde que profissionais rodados mostrem disposição para o desafio e não se aproveitem da situação para tirara vantagem ou encostar o corpo. 

O alviverde de Chapecó está no caminho certo, e deve ser incentivado a não abrir mão da altivez. Tal conduta honra a memória de jogadores, dirigentes, integrantes da comissão técnica que iam atrás do sonho de grandeza, realizado infelizmente da maneira mais dolorida possível. Passou a ser dos mais admirados de nossos times, como o Atlético de Medellín, que ontem embarcou para o Japão, onde representará a Colômbia – e o Brasil – no Mundial de Clubes. 

Em contrapartida, o Internacional vive fase infeliz, primeiro com declarações contraditórias e agora com a insistência de provar que o Vitória agiu com má intenção ao registrar, “irregularmente”, o zagueiro Victor Ramos na CBF. Há risco de ser vítima do mesmo veneno, se ficar claro que Vitinho, de seu elenco, atuou em condições idênticas durante o Brasileiro...

DIGNIDADE 2

Alberto Valentim apagou incêndios no Palmeiras, em transições entre um técnico e outro, e mostrou qualidade. Percebeu que não passaria de coadjuvante, tão logo o campeão nacional admitiu interesse em Eduardo Baptista. Por isso, pegou o boné. Merece voos solos. 

COPA DO BRASIL

O futebol trata de retomar a rotina, após a semana de luto. Grêmio e Atlético-MG protagonizam, nesta noite, o encerramento mais triste do torneio. A vantagem gaúcha é grande, mas não insuperável. Hora de os talentos do Galo assumirem a responsabilidade, se imaginam virada histórica. Difícil superar os 3 a 1 da ida; tampouco se deve jogar a toalha. Que haja intensidade no clássico, mas paz, dentro e fora de campo. E que o vencedor curta a proeza com alegria... e moderação. 

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