Darko Vojinovic/AFP
Darko Vojinovic/AFP

Dinamarca adota boicote comercial à Copa do Catar a favor dos diretos humanos

As medidas, segundo a entidade, deixam o time focado apenas nas atividades esportivas do Mundial

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2021 | 20h10

Já classificada para a Copa do Mundo do Catar em 2022, a Dinamarca também mostra sua força fora dos campos. A Federação Dinamarquesa de Futebol (da sigla DBU) anunciou, nesta quarta-feira, que irá boicotar comercialmente o Mundial no país do Oriente Médio por violações dos direitos humanos envolvendo funcionários imigrantes. As medidas, segundo o órgão, irão deixar o time focado apenas nas atividades esportivas.

O anúncio foi feito pelo site oficial da entidade. Segundo a federação, "parceiros comerciais da seleção masculina não participam das atividades oficiais no Catar". Ou seja, os principais patrocinadores, Danske Spil e Arbejdernes Landsbank, abriram mão da exposição de suas marcas nos uniformes dos jogadores. No lugar, estamparão mensagens em apoio aos direitos humanos.

Outra iniciativa será a redução do número de voos enquanto a seleção estiver jogando o Mundial. O foco será apenas o esporte, e não na exibição de marcas e outros assuntos comerciais. "O DBU vai minimizar o número de viagens ao Catar para funcionários e parceiros, entre outros, para que a participação nas finais da Copa do Mundo seja principalmente voltada para a participação esportiva e não para a promoção dos eventos dos organizadores da Copa."

A Dinamarca é uma das seleções precursoras na luta pelos direitos humanos a trabalhadores imigrantes que ajudaram na construção de toda a infraestrutura do evento. Outras seleções como a Alemanha, Holanda e Noruega também se manifestaram a favor de melhores condições para estes empregados. De acordo com publicação do jornal inglês The Guardian, 6,5 mil imigrantes morreram em construções do país do Oriente Médio.

CEO da Federação Dinamarquesa, Jakob Jensen garantiu que os esforços da entidade serão ainda maiores. "Há muito tempo, a DBU critica fortemente a Copa do Mundo no Catar, mas agora estamos intensificando ainda mais nossos esforços e um diálogo crítico para aproveitarmos o fato de estarmos qualificados para trabalhar por mais mudanças no país. Além disso, há muito tempo chamamos a atenção para os desafios que a FIFA e o Catar enfrentam e continuaremos fazendo isso."

O mandatário também aproveitou o comunicado para agradecer aos patrocinadores por apoiarem a causa humanitária. Para ele, isso é uma forma de pressionar a Fifa e os organizadores da Copa do Catar a tomarem medidas cabíveis para que os imigrantes tenham plenas condições de vida e trabalho.

"É um sinal muito forte quando nossos parceiros também se engajam na luta por melhores condições no Catar. Os parceiros apoiam o futebol dinamarquês, a seleção masculina e a participação esportiva no Campeonato Europeu e na Copa do Mundo - não apenas o anfitrião individual", disse Jensen em comunicado.

RELATÓRIO

A Federação Dinamarquesa divulgou ainda um relatório da Anistia Internacional que mostra que o Catar está bem longe de promover as condições necessárias para os trabalhadores. Toda a documentação pode ser conferida no site oficial da entidade.

"Infelizmente, o relatório da Anistia nos mostra mais uma vez que as condições para os trabalhadores imigrantes no Catar ainda não cumprem as promessas. É muito lamentável. Agradeço à Anistia por continuar a esclarecer a situação. Além de continuar nossa pressão por mudanças no Catar, é claro que usaremos as recomendações do relatório para tomar nossos próprios cuidados antes de viajar para a Copa do Mundo no Catar", disse Jensen.

"Com base no relatório, entramos em contato novamente com a FIFA e o Comitê Supremo no Catar e exigimos respostas sobre por que suas próprias informações diferem do relatório da Anistia, assim como pedimos que forneçam garantias de que os direitos dos trabalhadores migrantes são respeitados , também onde nós durante a Copa do Mundo", finalizou.

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