Alejandro García/EFE
Alejandro García/EFE

Dinheiro de jogos da seleção brasileira caiu na conta de Sandro Rosell

Documentos mostram que ex-presidente do Barça levou cerca de R$ 10,2 mi com amistosos do Brasil

Jamil Chade - Enviado Especial , O Estado de S. Paulo

25 de janeiro de 2014 | 04h49

ZURIQUE - Um contrato para realizar dez amistosos da seleção brasileira em 2012 garantiu o desvio de quase 3 milhões (R$ 10, 2 milhões) para o ex-presidente do Barcelona, Sandro Rosell. Documentos vistos pelo Estado revelam que o cartola recebeu o dinheiro da ISE, a empresa árabe que detém junto à CBF os direitos de organizar os jogos da seleção até 2022. Essa mesma empresa acabou comprando de Rosell uma de suas empresas, a Bonus, como parte do pacote.

O catalão pediu demissão da presidência do Barcelona na quinta-feira, depois que a Justiça espanhola abriu uma investigação sobre comissões pagas no contrato de Neymar. O Estado já havia revelado em agosto de 2013 um contrato secreto que transferia mais de US$ 8 milhões (cerca de R$ 19,3 milhões no câmbio atual) para contas de Rosell nos EUA, fruto de 24 jogos amistosos a partir de 2006. Rosell, na época, respondeu que o dinheiro recebido não era propina, mas sim um pagamento por "serviços prestados".

Novos documentos, porém, apontam que o fluxo de transferência continuou. Num contrato estabelecido para dez novas partidas, em 2011 e 2012, o pagamento para contas fora da CBF foi mantido. O acordo foi fechado entre o cartola e a ISE em 2010 e ele recebeu o dinheiro à vista. Já a CBF receberia sua parte apenas em 2012.Rosell e Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF, mantiveram uma amizade que ganhou uma forma de parceria em negócios.

 

O primeiro jogo do esquema foi realizado no dia 14 de novembro, entre Brasil e Egito. O técnico Mano Menezes levou um time com jogadores que seriam testados, entre eles Jonas, Bruno Cesar e Elias. O local da partida seria o Catar, justamente o país que mantém acordos milionários com Rosell. O cartola rompeu décadas de uma tradição e colocou uma publicidade da Qatar Foundation na camisa do Barcelona.

O "pacote" incluiu amistosos do Brasil contra a Bósnia, contra a Dinamarca em Hamburgo e uma turnê de três jogos nos EUA. Mas foram dois jogos que chamaram a atenção, A CBF levou a seleção para o interior da Polônia para um jogo contra o Japão, em plena semana e num horário de trabalho da população local. O estádio estava praticamente vazio.

Outro jogo no mesmo esquema foi contra o Iraque do técnico Zico. O problema: o jogo ocorreu na Suécia e teve um dos menores públicos da história da seleção brasileira.

 

COMPRA

O esquema de Rosell e a CBF não terminou com o pagamento da comissão. O catalão usou a parceria com a entidade brasileira para conseguir um comprador para uma de suas empresas, a Bonus. A companhia tinha como meta enviar olheiros para a África e América Latina para buscar jovens craques que, por sua vez, seriam oferecidos para a academia Aspire, no Catar. Um dos patrocinadores do projeto da Bonus era a Nike, empresa que teve Rosell como seu representante na América Latina.

Para ser presidente do Barcelona, em 2010, Rosell precisaria dissolver parte de seus negócios, justamente para não gerar conflito de interesses. Para se desfazer da empresa, a forma encontrada por Rosell foi a de vender para a Dahall Al Baraka Group, a empresa que mantinha por meio de sua subsidiária ISE os direitos da seleção.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.