Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

‘Dinheiro é bom, mas não é tudo’, diz meia Jadson

Meia abre mão de proposta para permanecer no Corinthians

Raphael Ramos, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2015 | 19h17

Tite teve um importante peso na decisão de Jadson de continuar no Corinthians. Na terça-feira, o treinador conversou com o meia e falou ao jogador que ele era peça fundamental na engrenagem da equipe para o restante da temporada.

"Tite disse que queria muito contar comigo, por causa da minha qualidade técnica e do meu jeito de trabalhar. Ele me deixou à vontade, é muito correto, e isso pesou bastante na minha decisão", disse Jadson, nesta quinta-feira, em entrevista coletiva.

Sem o armador, o treinador teria de mexer na estrutura da equipe – que perderia qualidade no passe e nas jogadas de bola parada, porque Jadson cobra praticamente todas as faltas e escanteios. A saída do meia seria a segunda mudança forçada que Tite teria de fazer no time. Após treinar toda a pré-temporada com Lodeiro entre os titulares, o treinador viu o uruguaio ser vendido para o Boca Juniors antes do jogo de ida contra o Once Caldas pela fase preliminar.

“Um dos meus objetivos este ano é ter uma boa regularidade. Dinheiro é bom, mas não é tudo na vida. Às vezes você age mais pelo coração do que pela razão”, disse Jadson.

Na segunda-feira, Jadson chegou a avisar ao presidente Roberto de Andrade que iria aceitar a proposta do Jiangsu Sainty. O clube chinês iria pagar 5 milhões de euros (R$ 16,2 milhões) referentes à multa rescisória. Os seus empresários ficaram com R$ 8,1 milhões, Jadson com R$ 3,3 milhões e o Corinthians com R$ 4,8 milhões. O meia, inclusive, falou em tom de brincadeira sobre a decepção dos seus representantes com a sua decisão.

"Eles estavam com a minha família, com uma arma na cabeça, falando ''E aí, vai ou não vai?''. Estou brincando. Estou há praticamente dez anos com os meus empresários, são pessoas extraordinárias. Eles fazem o trabalho deles, que é conseguir um bom contrato, os negócios. Não houve pressão. Trouxeram a proposta e me deixaram tranquilos. No último momento, eu falei que não queria, eles ficaram um pouco decepcionados, mas faz parte da vida", disse.

Além de Tite, a esposa de Jadson também convenceu o atleta a recusar a oferta do Jiangsu Sainty. "Hoje não posso tomar uma decisão sozinho, tenho uma mulher e dois filhos. A gente conversou e no final a minha decisão foi ficar", explicou o jogador.

O diretor de futebol do Corinthians, Sérgio Luiz Janikian, que participou das negociações para manter Jadson no clube, disse que expôs ao jogador as dificuldades que ele enfrentaria na China, como alimentação, idioma e adaptação dos filhos. "O único argumento que tínhamos era o emocional. Mas fica a mensagem de que o futebol não é só dinheiro", disse o dirigente.

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