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Dinheiro na cara

A imagem dos dólares falsos voando sobre Joseph Blatter correu mundo, é forte e carregada de significado. O gesto do comediante inglês que invadiu o local onde se realizava a assembleia extraordinária da Fifa foi atrevido, rude e simbólico. Serviu para engrossar o currículo do rapaz, famoso por aparições do gênero, ao mesmo tempo em que expôs como o senso comum hoje avalia a entidade que comanda o futebol e seus dirigentes.

Antero Greco, O Estado de S. Paulo

22 de julho de 2015 | 03h00

A Fifa sujou-se, e na atualidade tem o nome associado a dinheiro fácil, negócios obscuros, cartolas sem escrúpulos e dispostos a tudo para ceder a interesses econômicos e pessoais em escolhas importantes. Acima de tudo manipula sentimentos de torcedores, em comportamento viciado.

A Fifa emporcalhou a própria reputação ao ter diversos integrantes da família trancafiados antes da última reunião, dois meses atrás, acusados de corrupção, formação de quadrilha e outros crimes paralelos. O grupo continua na cadeia, próxima da sede da entidade e perto de onde os colegas - quase todos, pois houve quem preferiu não sair de casa - voltaram a encontrar-se para decidir como será a sucessão forçada de Blatter em fevereiro.

O conceito da Fifa despencou, na mesma proporção da empáfia e prepotência com que seus representantes circulam nos países designados para os torneios que organiza - a Copa do Mundo, sobretudo. Ou não ficaram marcadas por aqui as imposições despóticas de Blatter e o braço- direito Jérôme Valcke no período que antecedeu ao campeonato de 2014? 

A Fifa acostumou-se a se sentir superior a governos, tal a desenvoltura com que seus executivos e funcionários circulavam em qualquer parte do globo. Daí que alguns associados extrapolaram, se imaginaram inatingíveis, fizeram a farra do boi em transações levianas. Até sentirem o braço longo do FBI, a firmeza de juízes, a frieza do xadrez e o abandono de ex-aliados.

A cúpula de anteontem, em Zurique, foi fria e tensa - e os dólares na cara, o auge de um processo de descrédito. Blatter e apadrinhados sentem o ônus do desprezo internacional e percebem o tapete fugindo dos pés. Embora não se deva subestimar a capacidade dessa gente de se recompor e ressurgir...

Episódio paralelo de descuido foi a ausência de Marco Polo Del Nero, presidente da CBF. Antes frequentador assíduo de qualquer solenidade da Fifa, a tiracolo de José Maria Marin, seu antecessor e um dos detidos, faltou na maior sem-cerimônia. A alegação para evitar o bate e volta, foi a de que precisava ficar para acompanhar desdobramentos da Lei de Responsabilidade Fiscal e a CPI do futebol a ser instalada. 

Não parece razão impeditiva para quem sempre lidou com agenda cheia. Talvez ele tenha motivos recônditos para a decisão e não saibamos. No mínimo soou como indiferença ao amigo Marin; seria excelente oportunidade para uma visita de solidariedade a quem o levou ao topo do poder. Ingratidão é sentimento humano; todos temos fraquezas e temores. 

Fato é que a CBF ficou sem interlocutor numa fase delicada da Fifa - isso não é bom para o futebol brasileiro. Como já fora notada a ausência do alto comando na Copa América, no Chile, ao menos para apoio moral ou cobranças, após o fiasco da equipe de Dunga. Porta-vozes da entidade são, agora, o secretário-geral e o coordenador de seleções, Gilmar Rinaldi, que vem a público na tentativa de convencer que esteja em curso revolução na seleção. As “Histórias da Dona Baratinha” eram igualmente fantasiosas, com a vantagem de que éramos crianças.

FIM DA PICADA

O Orlando City, que apareceu no mercado outro dia, cobra dívida de mais de R$ 13 milhões pelo período em que o São Paulo teve Kaká por empréstimo. Para esquecer a fatura em atraso, e ainda colocar R$ 6 milhões de troco, pediu a cessão de Ganso. Situações grotescas: xeque-mate gringo, desvalorização de Ganso e caixa baixo tricolor, que contesta a versão americana.


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