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Dinheiro não é tudo no futebol, nunca foi: o fracasso do PSG é mais uma prova disso

Time de Messi, Neymar e Mbappé volta à estaca zero, cai diante de sua própria pressão interna e precisa achar outro caminho para ganhar a Liga dos Campeões da Europa; o clube já investiu perto de R$ 10 bi desde 2011

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

10 de março de 2022 | 11h31

O jogo com o Real Madrid ainda não acabou para o PSG. A eliminação vai ter desdobramentos. O torcedor do time de Paris deve estar se perguntando: "por que não dá certo?" O time e sua diretoria endinheirada se reinventam a cada temporada e, mesmo assim, não conseguem ganhar a tão sonhada Liga dos Campeões. A primeira lição é que dinheiro não é tudo no futebol. O clube já gastou perto de R$ 10 bilhões de 2011 para cá, desde a chegada da turma do Catar.

A derrota para o Real Madrid na quarta-feira põe fim a mais uma tentativa de ganhar a Liga dos Campeões, e desta vez com Messi em campo e com a manutenção de Mbappé - ele está na mira do Real Madrid. Nenhum deles, nem Neymar, foi capaz de salvar o time dentro do Santiago Bernabéu.

O fracasso parece inexplicável. Mas não é. O PSG troca de treinadores e fortalece seu grupo sem limites financeiros. Mesmo assim, não consegue a "orelhuda", como é chamada a taça da Liga. Desta vez, caiu nas oitavas de final depois de estar, em outras edições, bem mais próximo da façanha. O vestiário pegou jogo após a derrota, como relatam alguns jornais da Espanha.

Além das explicações esportivas de campo, como enfrentar um rival com mais camisa e também com bons jogadores, como Benzema e Vinícius Jr, há outras condições a serem levadas em consideração. A pressão que o próprio clube coloca em sua caminhada na Europa tem atrapalhado individual e coletivamente os jogadores e a todos no PSG. É preciso mudar isso.

As principais estrelas do clube francês sofrem com as cobranças internas, se valem de palavras motivacionais e tentam ser os mesmos vencedores que o levaram para Paris. Ainda são, mas não tem dado certo. A chegada de Messi prova isso. Sua contratação foi dada como garantia de ganhar a competição com os pés nas costas. Quem mais o clube precisa contratar? Cristiano Ronaldo?

Tem mais. De nada vale se na França apenas o PSG é gigante e rico. Ele lidera o Campeonato Francês com sobras, sem rivais do seu tamanho. Tem 62 pontos contra 49 do segundo colocado, o Nice. Essa tranquilidade caseira só atrapalha. O Real Madrid só é grande por causa do Barcelona e de alguns outros adversários que colocam o time de Madri contra a parede, o faz crescer na Liga Espanhola sempre, sem baixar a guarda. Fazendo um paralelo com o futebol brasileiro, o Flamengo precisa do Vasco, do Fluminense e do Botafogo, assim como o Corinthians não sobreviveria sem Palmeiras, São Paulo e Santos e vice-versa. Simples assim. O PSG treina na França e se perde na Europa.

Há anos, o PSG não tem esse desafio em casa. O torneio nacional é fraco e pobre. Portanto, de nada vale o clube ser gigante e não ter rivais na França. Um time precisa de desafios caseiros para sobreviver e crescer e ganhar experiência para sonhar e tentar passos mais largos.

A Europa é o desafio do clube de Paris. Ocorre que há outros como ele no Continente. E a Liga dos Campeões impõem condições duras a todos os seus participantes. Não há favoritos nos mata-mata. Não há como fazer apostas sem erros. O PSG descobriu isso em Madri da pior maneira possível, enrolando sua bandeira e voltando para casa sem nada. Volta para a estaca zero. Logo nesta edição em que a Fifa tira a final de São Petersburgo, na Rússia, por causa da guerra, para levá-la a Paris, dia 28 de maio.

Antes de ganhar a Europa, o PSG tem de fortalecer sua disputa inteerna, encontrar rivais dentro da França. O problema não é treinador nem jogador. O time tem um elenco muito bom, em todas as posições. É preciso ter mais tranquilidade, menos cobrança, mais desafios internos. E tirar das costas tantas cobranças. O caminho do derramamento de dólares no clube não tem dado certo.

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