Vinnicius Silva/Cruzeiro
Vinnicius Silva/Cruzeiro

Diretoria do Cruzeiro se defende de acusações de irregularidades

Clube está sendo acusado de vender parte dos diretos de atletas para pagar um empréstimo

Jonathas Cotrim, especial para O Estado, Estadão Conteúdo

27 de maio de 2019 | 20h12

A segunda-feira foi muito conturbada na Toca da Raposa II, em Belo Horizonte. Os jogadores ganharam folga depois da derrota para a Chapecoense, no dia anterior, no estádio Independência, que derrubou o time para as últimas colocações do Campeonato Brasileiro, mas os dirigentes do Cruzeiro enfrentaram um clima tenso para se defenderem de denúncias de irregularidades na atual administração veiculadas na noite de domingo no programa Fantástico, da Rede Globo.

O presidente Wagner Pires de Sá e o vice-presidente de futebol, Itair Machado, falaram com a imprensa por cerca de uma hora e explicaram a maior denúncia feita pela reportagem da Globo, que foi a venda no ano passado de parte dos direitos econômicos de Estevão William, já chamado de "Messinho", então com 11 anos, para pagar uma dívida com o empresário Cristiano Richard. A Lei Pelé e o Estatuto da Criança e do Adolescente proíbem menores de 12 anos de possuir contratos empregatícios.

De acordo com o clube, o Cruzeiro não vendeu, apenas deu como garantia. "Não houve transferência de direito econômico, foi garantia. Dar garantia não é ilegal. Não é ilegal pois não vendemos. Enquanto ele estiver no Cruzeiro ele é patrimônio do Cruzeiro", explicou Itair Machado, que estava ao lado do advogado Edson Travassos. "Crime é a ação. E a ação (de vender) não foi feita. Renegociamos a dívida, que hoje está em R$ 1,4 milhão, para oito parcelas de R$ 195 mil", .

O dirigente ainda declarou que houve uma má interpretação do contrato analisado, por este ter sido construído de "forma dúbia". Para evitar problemas, o clube vai protocolar em cartório o novo contrato.

Na entrevista coletiva, ficou acertado que tanto o presidente quanto Itair Machado fariam apenas um pronunciamento, antes das perguntas dos jornalistas, mas o vice-presidente chegou até a bater boca com um repórter que afirmou ser ilegal colocar como garantia a cessão de direitos econômicos de um jogador que não pode ter contrato com o clube.

O dirigente disse que o clube está "sendo perseguido" por "bater de frente com os queridinhos da mídia nacional". "Aqui no Cruzeiro não tem desonesto. Estamos sendo perseguidos (...) O processo da Polícia Civil já existia e não chama processo, chama procedimento, dura meses, começou por denúncia anônima. Foi fogo amigo, concluído e arquivado. Agora, com essas matérias, o procedimento foi reaberto. Mas o Cruzeiro confia na Polícia Civil. O Cruzeiro está tranquilo quanto a isso", disse Itair, que minimizou a dívida do clube, atualmente em R$ 520 milhões. "Teve um conselheiro que falou que o Cruzeiro está falido. O Cruzeiro jamais vai falir. Essa camisa não tem preço".

Outra questão esclarecida na coletiva desta segunda, foi sobre a possível venda dos diretos de atletas menores de idade, outra prática irregular. "O empresário não seria burro de comprar direitos de menores de idade", disse Itair. Além disso, o vice-presidente disse que é uma prática comum realizar acertos com empresários que não estão cadastrados na CBF, mas que o Cruzeiro pediu  para Cristiano Santos regularizar a situação na entidade.

O presidente cruzeirense, Wagner Pires de Sá também esteve na coletiva de imprensa e afirmou não temer nenhum tipo de sanção que poderia ser imposta contra o clube. "Não vai haver nenhuma penalidade. Não foi praticado nenhum delito. Nada que possa nos prejudicar".

A Polícia Civil de Minas Gerais investiga dirigentes celestes e empresários por falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Por meio de nota divulgada nesta segunda, a polícia afirmou que já ouviu 15 pessoas ligadas ao clube e que as investigações continuarão.

ORGANIZADAS

Na matéria do Fantástico também foi revelado que a diretoria celeste teria repassado valores para Torcidas Organizadas, principalmente a Máfia Azul e a China Azul. Itair Machado afirmou que esses recursos são fruto de parcerias entre clube e organizadas como forma de combater a violência nos Estádios. "Pactuamos com a torcida que teria que ser obrigatório evitar as brigar no estádio. Não houve violência em nosso Estádio". De acordo com o dirigente, o investimento seria em um canal de divulgação e em projetos sociais das torcidas.

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