Ivan Storti/Divulgação
Ivan Storti/Divulgação

Diretoria do Santos se organiza para evitar a debandada de jogadores

Em crise financeira e com processos na justiça, clube da Vila Belmiro luta contra a saída de jogadores insatisfeitos com atrasos de salário

Gonçalo Junior, O Estado de S. Paulo

14 de janeiro de 2015 | 07h19

A solução encontrada pela diretoria santista para reverter a saída dos jogadores insatisfeitos com o atraso de quatro meses de salários – Alan Santos, Arouca, Mena, Aranha e Leandro Damião, este último na tarde desta terça-feira, recorreram à Justiça do Trabalho – é tentar repor as peças que estão deixando o clube. Nesta terça-feira a diretoria anunciou o retorno de Elano como terceiro reforço da temporada, depois do acerto com Ricardo Oliveira e Chiquinho. Além disso, o clube acredita que possa diminuir a debandada com algumas vitórias nos tribunais.

Depois de ter sido criticado pelos dirigentes santistas por falar abertamente sobre a crise financeira do clube, o presidente Modesto Roma Junior preferiu não se pronunciar sobre os processos trabalhistas. O gerente de futebol André Zanota, presente na apresentação de Chiquinho, não atendeu aos jornalistas alegando que tinha uma "reunião importante de diretoria". 

Quem falou sobre a crise foram membros do Comitê de Gestão, mas, mesmo assim, sem se identificar. A maioria dos dirigentes já esperava que alguns jogadores procurassem a Justiça do Trabalho após o atraso de quatro meses de salários, além dos direitos de imagem e do 13º salário. Ontem, a diretoria confirmou que foram pagos dois dos três ordenados em atraso. Mas eles acham que nem todos vão conseguir a liminar que permite a rescisão contratual. A esperança da cúpula santista é reverter a debandada nos tribunais e depois analisar caso a caso. 


Com o lateral Mena, por exemplo, a estratégia do "deixa disso" já começou. O clube estava muito próximo de negociá-lo por empréstimo com o Cruzeiro, mas foi surpreendido pelo processo trabalhista. O plano é convencer o jogador a desistir da ação na Justiça para concretizar o negócio e tentar envolver algum jogador do Cruzeiro na transação – o atacante Anselmo Ramon interessa. 

Aranha já é considerado carta fora do baralho. Antes mesmo de o goleiro procurar a Justiça, os atuais diretores não o procuraram para uma renovação e tornaram público o interesse por Jefferson, que acabou renovando com o Botafogo. O técnico Enderson Moreira indicou Muriel, terceiro goleiro do Internacional para substituí-lo. Aranha reconhece que recebeu algumas sondagens, mas nenhuma proposta oficial. 

A grande decepção da diretoria foi com Arouca. Considerado um dos líderes do elenco, ele foi o único que havia declarado publicamente que não entraria na Justiça porque considerava o Santos como sua "segunda casa". Como forma de retaliação, o volante está fora dos planos mesmo que o clube consiga uma vitória nos tribunais. Seu destino é o Palmeiras, com o qual já tem um acordo verbal. O Santos vai dificultar sua saída, e ele provavelmente terá de treinar separadamente até ficar livre.

SUBSTITUTO

Nesta terça-feira o Santos anunciou o provável substituto de Arouca: Elano fará sua terceira passagem pelo clube. A diretoria e os agentes do jogador acertaram um contrato até o fim do Campeonato Paulista, nos mesmos moldes do acordo com Ricardo Oliveira. O desejo de retornar do jogador, manifestado publicado depois que ele deixou a Índia, ajudou no negócio. O veterano de 32 anos é considerado fundamental na reconstrução da equipe ao lado de Renato e Robinho.

Outra aposta de Enderson Moreira é o meia Chiquinho, que pode atuar em várias posições. "Não tenho medo dos salários atrasados. Demos um voto de confiança para o presidente", disse o jogador de 25 anos. 

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