Dirigente ameniza crise na Fiorentina

O presidente da Fiorentina, Vittorio Cecchi Gori, desmentiu nesta quinta-feira que a instituição esteja com problemas financeiros, um dia após a divulgação do pedido de quebra, feito pelo juiz Sebastiano Puliga, do Tribunal de Florença. No entanto, vai ter suas contas investigadas e terá de prestar esclarecimentos a comunidade e ao Tribunal, que vai avaliar propostas de venda dos passes de seus principais jogadores. O clube deve cerca de US$ 80 milhões e tem até o dia 12 de julho para saldar as dívidas, senão, terá sua falência decretada.Cecchi Gori afirmou que a Fiorentina não está em perigo, que não tem intenção de abandonar a instituição e prometeu resolver a situação o mais rápido possível. "A Fiorentina está no centro de uma conspiração financeira, tem urgência, mas não está em perigo", declarou. Porém, o dirigente já começa a sofrer as conseqüências pela notícia de uma possível falência do clube. Nesta quinta-feira, em repúdio de sua gestão, uma carta-bomba foi deixada num cinema de sua propriedade. O artefato foi detonado mas, de pouco impacto, causou apenas danos materiais. O autor foi um torcedor do clube, de 27 anos, já identificado pela polícia.O presidente do clube assegurou que a Fiorentina estará inscrita regularmente no próximo campeonato, e declarou que para isso, terá que vender alguns atletas, entre eles, o português Rui Costa, estrela do time. "Me dê uns dias, um pouco de trégua, que resolvo tudo. Fiorentina é uma das razões da minha vida," enfatizou.O discurso emocionado, no entanto, não convenceu as autoridades. O juiz Puliga, além de convocar para terça-feira uma reunião com o Conselho Administrativo e seus auditores de contas, pediu que sejam entregues os livros contábeis do clube. "Os livros devem mostrar a real situação da entidade", afirmou, com informativos que asseguram uma dívida de US$ 65 milhões. Puliga afirmou também avaliar propostas para vender atletas. "Quando o clube se vê obrigado a vender, os preços descem muito e nosso objetivo é o de evitar e empobrecimento da instituição." Cecchi Gori também está na mira de fiscais da receita.Isso porque desviou cerca de US$ 40 milhões da Fiorentina para a Finmavi, empresa financeira de sua família, segundo afirmou Antonio Bandettini, síndico do processo. O conselheiro comunal de Florença, Massimo Pieri, exigiu de Cecchi Gori explicação à cidade sobre como deixou o clube nesta situação se sua empresa é uma das que mais lucra.

Agencia Estado,

28 de junho de 2001 | 19h04

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.